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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Heróis semeiam a geração do futuro

A história produziu para nós diversos heróis, pessoas humanas como nós que por suas atitudes ou coragem marcou um grupo, se tornando deuses de suas histórias...

O mundo mudou, os hábitos mudaram e também a concepção de gente que faz a diferença. Hoje nossa geração toma como referência às “figurinhas carimbadas” pela mídia, que invadem nossas casas de todos os modos possíveis. Já não interessa a ação exercida, o que antes fazia a diferença, o importante hoje são os holofotes, as revistas de fofoca, enfim o famigerado: 15 minutos de fama!

Não faz tanto tempo que conclui o ensino médio... Recordo-me que os alunos protestavam contra as aulas de história. De que me interessa saber sobre quem já passou? Entendo que muitas delas estão maquiadas em nossos livros, mas não podemos negar que havia ideais... Quais os ideais dos heróis de hoje? Lançar bonecos com seus nomes?

Nos perdemos no cotidiano, no entanto, porque seguir falsos deuses, pessoas que não são referenciais de uma vida melhor?
Talvez as pessoas escolham sem pensar, imitam sem comparar. Uma forma de mitificar o outro e esquecer a própria existência, uma preguiça de planejar a própria vida, de lutar por ser quem se deseja...

Ninguém lhes falou sobre sonhos e desejos que vão alem das futilidades, ou estabeleceu conversas que falassem mais do que querem as mídias de massa.

Não me excluo dessa turma de olhos embaçados e horizonte pequeno, talvez a única diferença seja que algo me incomoda no estômago...

IMAGEM:
O Semeador, Van Gogh
http://amador.blogs.sapo.pt/arquivo/semeador.jpg

sábado, 25 de setembro de 2010

Três coisas que amo, entendo e que não posso falar

Dureza viver em um país que se diz católico, mas não é. Amar a Igreja que o próprio Cristo fundou é questão de luta. Quando digo que sou católica praticante sou vista como um monstro, algo do além! Falar de Jesus, saber que ele existiu, nasceu e morreu por mim na cruz parece ser um pecado por ter aprendido isso na Igreja Católica Apostólica Romana.

Não sou exemplo de Cristã, mas amo Jesus. Do meu jeito, mas eu amo. A sociedade protestante, por suas palavras, tentam me sentir culpada por ter encontrado Jesus na Igreja de Roma.

O Arcebispo americano Fulton Sheen disse: "Talvez não haja nos Estados Unidos uma centena de pessoas que odeiem a Igreja Católica, mas há milhões de pessoas que odeiam o que erroneamente supõe o que seja a Igreja Católica". Sabias palavras. Peço licença ao Arcebispo e troco o "Estados Unidos" pelo mundo.

O respeito com o Católico passa longe e o famoso ecumenismo só acontece por nossa parte. Principalmente nas missas e grupos de oração por aí... É um tal de cantar música dos hereges...

Sou amante de uma boa história e a da minha Igreja é linda. Teve erros? Sim! Mas a maior prova de que a Igreja Católica é divina, sem sombra de dúvida, é a Idade Média. Tempo difícil, em que os homens quase destruíram a Igreja de Cristo.

No primeiro ano de Colegial, uma colega, neoprotestante, que dizia ter sido convertida pela Igreja Paz e Vida e mais duas garotas da Assembleia de Deus, me acuaram na sala de aula. Este dia eu não esqueço. Que dia abençoado da minha vida. Dia de perceber que estava no caminho certo.
Agradeço do fundo do meu coração estas três pessoas que me acusaram de idolatria; me xingaram de papa-hóstia; falaram que o Papa João Paulo II era a besta do apocalipse (risos)... Idiotas! Foi a primeira vez que vi falarem mal de João Paulo II... Neste dia também ouvir que o Pe Marcelo era "paga pau" dos "evangélicos", pois tinha inventado a Renovação Carismática Católica ao copiar seus cultos (quanta besteira). As amebas não sabem até hoje que não foi o Pe Marcelo que "inventou" a Renovação Carismática Católica. Você acha mesmo que elas procuraram saber? Se caso interessasse por história seriam católicas... Sem saber o que fazer comecei a chorar, pois não tinha o conhecimento e perdendo as estribeiras falei pra elas pegarem as músicas evangélicas e enfiarem no... vocês sabem a onde. Deste dia em diante busco conhecer cada detalhe da Igreja Católica, e por causa disso, não levo desaforo pra casa.

Às vezes sinto que exagero em meu zelo pela Igreja, mas como se calar quando alguém chama os padres de "punheiteiros"? É difícil, mas tenho tentado silenciar. RELIGIÃO NÃO SE DISCUTE.

Dei esta volta toda para dizer que amo a Igreja, mas que por respeito aos outros, mesmo tendo certeza absoluta de que estou certa, tenho de me calar.

Tenho outro problema... também gosto de futebol. Acredito fielmente que meu time é o melhor do mundo. Torço para o São Paulo que tem apenas 74 anos e já conquistou três libertadores, três mundiais de clubes, seis brasileiros... tem estádio desde a década de 1960. Tem time por aí bem
mais velho que vai demorar um pouco para chegar a tantas glórias. Estou aprendendo agora a ficar quieta, pois sou folgada, me acho dona da razão. Toda hora tenho de me policiar para não perder a cabeça. FUTEBOL NÃO SE DISCUTE.

Nasci em 1983 e lembro vagamente de quando o Brasil em sua primeira eleição direta para presidente elegeu Fernando Collor. Lembro do Itamar Franco e da implantação do Plano Real. Desde de sempre, não sei porque nunca gostei do PT (Partido dos Trabalhadores), sempre tive uma queda pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira). Ainda mais porque em
1999, graças a privatização da telefonia no país feita por Fernando Henrique Cardoso, pude ter telefone em casa. Depois que trabalhei na Subprefeitura do Jabaquara como estagiária, no ano de 2004 passei a ter mais asco do PT... só não me pergunte o motivo.... Talvez se eu tivesse nascido no nordeste... e recebesse uns trocadinhos por mês gostaria muito do PT

Ver o povo brasileiro que se diz cristão querendo votar na Dilma, me dói o coração. E a Marta? Deixa pra lá! Gosto do Serra e tenho tantos motivos para votar nele... Mas tenho de ficar quieta. POLÍTICA NÃO SE DISCUTE.

Sou Católica praticante, são-paulina entendida e tucana sem motivo. Estas três coisas fazem parte da minha vida, mas não posso gastar minha saliva em vãs discussões. O silêncio é a melhor opção.

Janine Mendes, 27 anos, formada em Jornalismo e pós-graduada em Criação e Produção de Revista. A moça escreve para um BLOG católico (catolicosdespertai.blogspot.com) e para BLOG sobre futebol (futeboloiro.blogspot.com)


terça-feira, 14 de setembro de 2010

A leitura

Diante do prazer de ler os livros podemos destacar logo de principio que o verbo mais apropriado para conectar o sujeito leitor às páginas de um livro qualquer não pode ser menor do que atravessar, perseguir, investir-se numa jornada. Atravessa-se um livro, página por página, pensamento por pensamento, com a arguta certeza de que se chegará ao outro lado do rio. O simples ato de abrir um livro, portanto, é o primeiro passo para a descoberta que se quer fazer do lado oposto ao que se estar. Dentro do barco, navegamos por versos que condensam emoções, sonhos, fantasias, conhecimentos, anseios, inquietações, reinvidicações e a vastidão do mundo guardada (embora não encerrada) na palavra escrita.

Mas não começamos a ler quando somos alfabetizados. Não. A nossa primeira leitura se dá na infância, entre galhos da arvore que a criança se dependura ela enxerga a possibilidade de se sustentar em algo imóvel. As folhas que se balançam lentamente trazem à tona a vontade de entender o porquê que essas arvores balançam; lêem-se o vento, descobrem-se a chance de ler até as coisas menos enxergáveis mas que movimentam as sementes da leitura.

Aos poucos, juntando sentidos, unindo percepções, formam-se as primeiras impressões do mundo. A primeira leitura, e talvez a mais caudalosa, são as nossas ações na meninice e as reflexões que fazemos delas.

Entra-se, ainda na infância, no mundo misterioso das palavras. Esses elementos vão condensando em si o significado que já se desbravou na leitura anterior de mundo, que, aliás, é contínua e vasa até a velhice, quando se (re)descobre coisas antes pensadas indesvendáveis.

Cabe a leitura suportar a complexidade do mundo, e fazê-lo, esforçadamente, tornar-se miúdo, pequeno, numa palavra com cinco letras. E é dessa forma que devemos perceber a leitura e sua importância. Ler bons livros, os clássicos, os atuais, revistas e jornais não são suficientes. É preciso ler o mundo, sem apegos as leituras antigas mas se valendo delas ao mesmo tempo. Costumo dizer que cada vez que olhamos o mundo, se o fizermos com cautela, perceberemos uma diferença enorme a da última visualizada. Nesse ínterim, para tanto, é preciso se desvencilhar dos preconceitos que a leitura distorcida ou leviana nos provoca. E não há quem não distorça a leitura. Afinal precisamos de nossas referências para que determinadas páginas nos atinja. Nesse aspecto que podemos entender que ao se ler determinado autor, estará, todavia, lendo vários autores mergulhados e conservados dentro dele.

Ao se atravessar as obras de Machado de Assis, por exemplo, notar-se-á, vividamente a intertextualidade e o diálogo constante com Kafka. Não se pode lembrar-se dos olhos de cigana obliqua e dissimulada sem, de antemão, ter conhecido uma cigana, tê-la observado os olhos repuxados, desviados, como se enxergasse tudo com sua altivez. Por isso, ao lermos uma página qualquer teremos que ter em mente o aviso de que diversas vozes estarão intercaladas dentro daquele molho de parágrafos. É de grata importância que o leitor não esteja desatento nem temeroso para ser, ao contrário do que se pensa, lido e absorvido pelo livro. Porque o momento da leitura nos provoca essa sensação. Não abrir mão dela é zelar pela leitura.



Bruno Silva

Sou o nada. O vicio. O adjetivo mal posto. O nó na garganta. O sujeito mal exposto. Estudante de Direito e aspirante a jornalista.

bsproducao.blogspot.com

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A nossa TV de cada dia

Quero começar confessando que não sou muito de escrever, mas existem momentos que praticamente imploram uma opinião sua é como se você sentisse que passou mais do que o limite... Nesta manhã estava assistindo o telejornal e me deparei com mais uma notícia da copa de 2014 dizendo que ontem a Arena Fonte Nova havia sido implodida para ser reconstruída uma nova... Arena Fonte Nova... que terá capacidade para 50 mil torcedores, os assentos serão cobertos e a estrutura deve contar com um restaurante panorâmico, com um museu do futebol e um espaço para shows e congresso. O custo? Uma “bagatela” de R$ 600 milhões... É incrível que quando se trata de fundos futebolísticos no país do futebol eles brotam... Instantaneamente, quanto à educação, saúde e moradia (necessidades básicas) já não possuem desta mesma fonte instantânea... O que me parece, é que, no lugar da nova arena estará se armando só mais um dos tantos “Coliseus” que irão brotar no país até a chegada da Copa. Não quero ser o chato que não gosta de futebol e copa, no momento do jogo torço por meu país como muitos torcem com revolta ao fracasso e urros de vitória, só não quero deixar de dizer que não acredito que seja uma boa distração assim como vimos no termo “panem et circenses”, a política do pão e do circo tão conhecida no tempo da Roma antiga e que acredito que se repete hoje em dia.

Logo após esta notícia vi a notícia de um caminhão que transportava 13 toneladas de bobinas havia acabado de tombar na marginal Tietê e que logo em seguida havia se formado um engarrafamento de quilômetros... e perai! O caminhão andava sozinho?! Se sim... que bom não feriu ninguém né! F... quem conduzia o caminhão importante mesmo foi o trânsito congestionado que ele deixou... Acho que vou parar por aqui só vou deixar um trecho da música Xanéu n° 5 do TM que acredito que se encaixa com o que sinto e escrevi.

“A minha TV tá louca, me mandou calar a boca e não tirar a bunda do sofá. Mas eu sou facinho de marré-de-sí, se a maré subir eu vou me levantar. Não quero saber se é a cabo nem se minha assinatura vai mudar tudo que aprendi, triste o fim do seriado, um bocado magoado sem saber o que será de mim. Ela não SAP quem eu sou, ela não fala a minha língua...”



Peço desculpas por usar muito a reticências, é que muitas vezes as coisas ficam assim mesmo...


Rafael Diego tem 21 anos, é formado em Design Gráfico e atua na área de produção gráfica. Reside na capital paulista, zona sul.



IMAGEM: http://webinsider.uol.com.br/wp-content/uploads/punk%20TV%2005.jpg

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Na inquietude do tempo

É inegável a beleza da juventude, são olhos sem a venda dos limites. Braços que não duvidam suportar a carga e sorrisos sem a preocupação com as marcas de expressão.

Como algo recente, é também inegável que a juventude não possui uma série de noções. Falta-lhe a noção de que o tempo soluciona, que em tudo a espera é necessária e que o retrógrado pode ser um saudosismo bom.

Talvez a real beleza esteja na soma dos anos que aprende sem deixar de sorrir. É o orgulho de ter vivido que não sufoca o desejo de viver. Estar e não desejar que estivesse além ou no passado. Cantar e sorrir com experiência que omite o tempo e na tranqüilidade de se saber quem se é ir de encontro ao outro.

Na contramão do que o vento que move a sociedade sopra, eu desejo envelhecer! Só peço a Deus que os riscos das rugas me tragam sabedoria, ao menos sabedoria para olhar a metade dos erros que cometi sem amargura e abraçar em totalidade o que foi bom.


Gilson Alves
“Escrevo o que passa por mim, o que posso ser testemunha e nada mais!”.

IMAGEM: Arquivo Pessoal

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A internet como agente do comodismo e da alienação do homem contemporâneo

Vivemos em uma sociedade real sustentada em alicerces virtuais. Crianças, jovens, adultos e idosos compartilham a inércia intelectual provocada pelas facilidades da Internet.

Com apenas um clique, conhecemos o mundo, chegamos a lugares inimagináveis e temos acesso ilimitado ao conhecimento e a informação. Será?

A indústria cultural, mais uma vez, nos ilude com estratégias dissimuladas para o consumo desenfreado. A internet transforma o mundo real e tangível em um bem de consumo virtual, faz do livre acesso ao conhecimento e a informação, o seu diferencial e torna as relações humanas e sociais, cada vez mais impessoais e intangíveis.

A interatividade e a liberdade de navegação e pesquisa geram um fascínio social pelo MCM (Meio de Comunicação de Massa) Internet e levam seus usuários a dependência, a escravidão e a alienação. Para constatar esta realidade, basta pedir a um estudante, de qualquer área do conhecimento, uma pesquisa acadêmica, ou perguntar a um profissional da área de atendimento, quais são os procedimentos mais comuns para entrar em contato com seus clientes. O antigo papo em roda de amigos é substituído por batepapos virtuais, ou sites de relacionamentos. A velha e boa leitura é trocada por sites de busca e pesquisa. As pessoas se distanciam, cada vez mais, do tocar, do sentir, do tátil, do
real...

Claro que fatores como a globalização, o desenvolvimento tecnológico acelerado e as ideologias impostas por nosso sistema socio-econômico, exercem grande influência neste processo de alienação, mas é o comodismo, proporcionado pela Internet, que subtrai do indivíduo a capacidade crítica de análise e o torna refém de uma única fonte de informação, uma única fonte de conhecimento, uma única fonte de relacionamento.

Resgatar o relacionamento interpessoal, a pesquisa em bibliotecas e a dinâmica e riqueza do conhecimento tátil do mundo, é necessário e essencial para a fuga da passividade e da inércia social a que somos submetidos.



Rafael Galdin
Cursa o 6º semestre de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda, tem 22 anos e é Católico Apostólico Romano Corinthiano, como ele faz questão de enfatizar... Se auto descreve como " um velho ultrapassado que ainda crê no amor".



IMAGEM: Arquivo Pessoal

terça-feira, 13 de julho de 2010

A visão de um povo


A visão é a identidade do ser humano, a forma como ele vê diz quem ele é. É através da visão que o homem compreende o mundo e se faz compreender, visão esta que vai além do órgão físico e alcança a consciência. Segundo Paulo César Lopes, professor de literatura, “O olhar é condicionado, mediado pela nossa experiência”, ou seja, vemos aquilo que experimentamos e somos fruto do que vivemos. As experiências que vamos tendo ao longo da vida forma a nossa opinião, a nossa ‘visão sobre as coisas’. Os nossos valores, conceitos e crença são fatores essenciais para determinar nosso olhar em relação ao mundo.

Lopes afirma que o olhar é uma interpretação, sendo assim mutável a cada pessoa. Diante da percepção do quanto a vida em sociedade nos molda é possível afirmar que a visão é uma construção social e individual, sendo formada e composta pela duas simultaneamente.

Pensando na visão física, quando nos falta algum dos sentidos o nosso corpo tende a aprimorar outros, por isso os cegos ouvem melhor e tem o tato mais apurado. Não enxergar deve ser ruim em qualquer situação, porém quando alguém que enxerga deixa de ver, lidar com a ausência da visão tornar-se mais difícil.

Certo dia fui ao oftalmologista para uma consulta de rotina, com a intenção de em seguida ir ao shopping comprar um celular, diferente das outras vezes, desta vez o médico decidiu dilatar minhas pupilas. Após um exame rápido estava liberado, ao sair da clínica percebi a alteração em minha visão, conseguia ler a placa do ônibus somente a uma certa distância, mesmo assim fui ao shopping. Chegando na loja peguei uma senha para ser atendido, mas não conseguia ler o número, eu sabia que havia umas três pessoas na minha frente, mesmo assim o número era ilegível para mim, retornei frustrado para casa. Nesta experiência percebi o quanto o ‘meu mundo’ necessitava da visão, o quanto olhar era importante para meu relacionamento com as coisas.

Desta experiência é possível irmos além fazendo a seguinte analogia: será que o povo não enxerga com os olhos dilatados? Será que nossa geração não está olhando para questões importantes, como a política, com um ‘olhar ilegível’? O resultado é visível um povo frustrado. Muitas são as reivindicações, todos sabem o que está errado, o que reclamar, mas a ‘revolta’ só vai até este ponto: reclamar para sentir-se melhor. Não são tomadas atitudes concretas - sim elas existem – a visão do povo se enche de conformismo impossibilitando uma transformação profunda da nação.


Gilson Alves
“Escrevo o que passa por mim, o que posso ser testemunha e nada mais!”.


O texto acima foi inspirado pelo documentário Janela da Alma, dirigido por João Jardim e Walter Carvalho. O documentário mostra o relato de diversas pessoas cegas e como elas percebem o mundo.

IMAGEM: http://files.nireblog.com/blogs/noemicosta/files/olhar.jpg

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Dia de Sol

Acho que sonhei com dias sempre ensolarados, em que nem a chuva ou o inverno omitia a alegria dos raios de calor.

Dias em que valia o ‘Carpe Diem’, dias de grandes empolgações nas pequenas coisas... Letras e melodias eram como a segunda parte do Telegrama do Zeca. Um clima para levar flores, desejar bom dia e distribuir beijos.

O infinito êxtase levava todos a criarem versos para a beleza do hoje. Como se houvesse milhões de músicas cantando os 40° do Rio, outras tantas para o cruzamento da Ipiranga com a Avenida São João e assim desbravando a Terra de Santa Cruz.

Rostos eram sorrisos e esperança era agir em favor do que era melhor para todos. Cada um fazia a sua pequena parte e o todo não deixava de ser feito.

Reclamação não era mais um murmúrio mudo, mencionado só para mostrar o quanto a sociedade não funcionava, mas era impulso para a criatividade de solucionar e reivindicar a quem deve ser.

As diferenças, neste dia de sol, eram entendidas por todos como algo que vem para agregar. Era a beleza dos sotaques, das raças, das idades... A beleza de ser quem se é.

Acordei com o telejornal, mas a tristeza das suas noticias selecionadas não bloquearam o meu dia de sol. Uma vez que entendi que ele é fonte que ilumina de dentro para fora.

Gilson Alves
“Escrevo o que passa por mim, o que posso ser testemunha e nada mais!”.

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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Teatro dos Vampiros, O conto


Sou um menino de pouca idade e muitos anos. A experiência que envolve a minha existência não parece vinda desse tempo. É algo do sempre, mas novo e indecifrável. Na experiência dos dias já saboreei o gosto do silêncio, longos dias de silêncio... Mas acredito que o sorriso me é próprio e o meu EU descaracterizaria sem ele.

Sempre precisei de um pouco de atenção e hoje não é diferente, o inverno voltou forte no meu coração e o tom cinza dos amores densos tem deixado tudo mais interessante. Os meus amigos são os mesmos, nós como antes saímos sem rumo, sem dinheiro e sem interesses outros que não sejam ser livre, não envelhecer por dentro e sempre estarmos com quem devemos estar.

Mesmo pensando tanto não sei quem sou e analisando minhas ácidas criticas percebo que só sei do que não gosto. Cheguei no meu ponto, desço do ônibus pensando porque minhas reflexões acontecem nos coletivos... Acho que passo tempo demasiado no trânsito. Sou de São Paulo! Prossigo em direção a Marginal, pego o trem da linha Pinheiros, ando sem para com as inquietações...

As vezes tudo isso parece um eterno Déjà vu. Ontem tive medo e não consegui dormir, tive medo do futuro e meu coração eterno apaixonado perturbava-me no meu intimo querendo amor, querendo amar... Entro na estação e dirijo-me para a plataforma, como que combinado é o trem que chega junto comigo. Ao entrar, em dia tranquilo de um horário inusitado, sento no assento ao lado da janela e fico olhando o trem rasgar a paisagem do sul da cidade. Olho os detalhes, dentro e fora do vagão, em cada estação... Esperando que neste dia nossas vidas possam se encontrar, porque as vezes é difícil viver comigo apenas e com o mundo.

É o final da linha, o extremo sul da cidade é sempre mais frio, sinto o cheiro do vento, vento de dias estranhos. Desço do trem, onde sempre desço, mas hoje com um olhar diferente, me sentindo mais experiente depois desse percurso de um pouco mais de 20 minutos. Meu ser está cheio de novas conclusões e múltiplas comparações que isentaram muitos da piedade. Opto pela escada estática, ignorando a rolante. Meus passos são firmes e decididos eu sei que a primeira vez é sempre a última chance. Me assusto com sua presença do outro lado das catracas, é um largo sorriso que exibe no rosto. Sem medo do que vão dizer corro e lhe abraço. Você me veio como um sonho bom e a riqueza que nós temos ninguém consegue perceber. Cansados de teatro queremos agora somente se divertir e juntos ter um lugar pra ir.

Gilson Alves
“Escrevo o que passa por mim, o que posso ser testemunha e nada mais!”.

P.S: Este conto foi escrito, a exemplos do livro Como se não houve amanhã, inspirado em músicas da Legião Urbana, neste caso: O TEATRO DOS VAMPIROS

domingo, 20 de junho de 2010

O lado B do amor, a admiração


Uma vez alguém me disse que o que chamam de amor somente se sustenta quando há admiração. Eu, na minha limitada compreensão, guardei a afirmação no meu intimo e a testei nos casos em que podia:

Os pais que amam os filhos os amam porque no misto de imperfeições e aptidões eles vêem o saldo positivo e independente da realidade da crença enxergam algo admirável no filho.

Os amigos que se amam, sem ignorar o que o outro tem de errado, conhece bem o que ele faz com tamanha destreza ou o traço admirável que lhe é próprio.

Os filhos quando crescem amam seus pais, não pela figura de “heróis” que eles possam ter exercido na sua infância. Mas porque diante dos inúmeros erros que os pais possam cometer eles se saíram com admirável êxito.

Como a decisão de amar não pode ter regras outras, acredito que também seja assim com um casal. Admiração é o que faz brilhar os olhos ao encontrar no outro o que nos encanta... Talvez esteja aqui a causa das relações curtas que não suportam a menor tormenta.

A admiração acontece! Acontece diante do aspecto que falta em quem admira, mas sobra em quem é admirado. Quando este aspecto concentra-se unicamente em algo efêmero (como a beleza, por exemplo) ele tende a não ser suficiente, como árvore de raízes rasas. Não é que faltou amor, o que faltou foi um componente essencial deste...

Claro que admirar alguém consiste em “abraçar” uma série de aspectos e sem dúvida é a maturidade que nos ensina quais destes são realmente nobres. Mas creio que nós somos os responsáveis por quem queremos ser e pelo quanto maduro permitimos que a vida nos faça.

Gilson Alves
“Escrevo o que passa por mim, o que posso ser testemunha e nada mais!”.

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sábado, 22 de maio de 2010

Transformar é Viver


É pela mera observação que percebemos que VIDA pode ser sinônimo de mudança ou transformação. Como a lagarta que “muda” e vira borboleta ou o menino que “se transforma” em homem. Considerando essa mudança de ordem natural, em sua maioria, ela nos lembra crescimento, melhora. Assim é com o menino, que se tornando homem fica mais independente ou com a lagarta, que sendo borboleta ganha asas.

Deixando de lado as mudanças de ordem física, que podem acontecer sem o nosso aval ou esforço, pensemos agora nas transformações que exigem de nós um “ponta pé” inicial ou o suor de todo o desenvolvimento. São aquelas mudanças que escolhemos, sonhamos, traçamos como metas... Sejam elas profissionais ou qualquer outra. Essas normalmente exigem superação e por isso são tão interessantes e representam tão bem o movimento que é viver.

Porém muitas vezes transforma-se também necessita de ESPERA. “Não podemos considerar perdido o tempo que o grão de trigo permanece oculto debaixo da neve durante o inverno, enquanto se opera nas suas células invisíveis uma morte transformadora. É durante a longa noite de inverno que o trigo cresce.” (CIFUENTES, Rafael Llano. Viver na Paz. São Paulo: Quadrante, 2009. Pg. 31).

Diante disso, é possível compreender que a estagnação, seja ela em qualquer aspecto, é uma espécie de morte. O ser humano nasceu para aprender, dizia um escritor, sem duvida aprende para transformar-se.

Gilson Alves
“Escrevo o que passa por mim, o que posso ser testemunha e nada mais!”.

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sábado, 1 de maio de 2010

Carta Aberta a uma amiga aniversariante


“A compreensão de um amigo me transforma, Deus se revela através dele nos momentos em que eu mais preciso...
Amigo é aquele que leva guardado em seu peito meus erros, minhas feridas, misérias e defeitos, sem sequer jogar em minha cara o que eu tenha feito, ainda que ele tenha razão...
Posso sentir o gosto, ás vezes amargo, do sábio silêncio de um amigo dizendo: Começa de novo, que eu te ajudo... É Deus falando comigo!”. (Ziza Fernandes)

Este texto estava há muito tempo perdido em uma gaveta minha, onde guardo meu passado... Sabe a caixinha de recordações?

Há um tempo atrás minha grande segurança, até porque me via vencedor em problemas tão difíceis, me permitia palavras bonitas e fortes, me permitia dizer motivações baseadas na certeza do amor divino. Essa certeza não mudou... O que mudou foi que meus erros hoje são maiores, mais confusos... E talvez eu não saiba ser o amigo que queria ser, peço-lhe paciência e perdão diante do pouco que sou, pouco esse que você nem imagina, porque tratamos de ocultar as maças estragadas do cesto.

Que jeito estranho de começar um cartão de aniversário né? Mas achei nessa data uma oportunidade de pedir perdão e de dá-lo também... Talvez isso seja amizade: se distrair das franquezas do outro, somente porque ele não se resume nisso.

Os meus votos de felicidades para você não mudaram dos de anos atrás... Sempre lhe desejo o melhor, independente das condições do hoje, quero eternizar minha admiração e meus votos de felicidades a você...

Gilson Alves
“Escrevo o que passa por mim, o que posso ser testemunha e nada mais!”.


IMAGEM ORIGINAL: Arquivo Pessoal

domingo, 11 de abril de 2010

“Donde vêm os diamantes? Da lama!”

Agora gostaria de partilhar com vocês algumas conseqüências que podemos tirar não de uma figura de linguagem, mas de uma realidade! E se entendida assim pode fazer refletir pela sua bizarrisse. O diamante está revestido da unicidade, da potência de pertencer a pouquíssimos acentuando seu valor, do desejo dos que se revestem do seu poder.

Esse contexto não parece considerar sua origem.. que se perdeu em algum momento do passado. Pedra maciça de fabulosa resistência ainda não lapidada, oculta no solo não retira de ninguém um único olhar, e seu revestimento de lama que não faz parte da sua essência quase que pode causar repugnância.

Eu e você já descobrimos o nosso valor, nossa dignidade já está revestida do eterno. Agora convido a todos vocês a tornar-se “garimpeiro”, por toscas marteladas do nosso trabalho, com essas ferramentas defeituosas que são as nossas qualidades descobrir e fazer descobrir os diamantes ocultos, em meio à lama ou debaixo de estruturas.

Icaro Victor Barboza, 20 anos
Cursa Administração de Empresas – FEI – 4º ano

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Preparando-se para voar


Penso como os querem ser livres, mas por vezes sinto minha liberdade como prisão criada por mim mesmo. O não admitir acorrentar-se é mérito da evolução humana, mas talvez pensamos tão grande que esquecemos dos pequenos abismos que criamos... Caímos neles acreditando na libertação, mas são buracos, com grandes paredes ao redor, limitando nossos passos e tendo um único canal de luz... Não é de hoje que nossas gargantas gritam: “... é a verdade que assombra” (Legião Urbana – Metal contra as nuvens), não a alheia - não há confiança que ignore a capacidade do outro de fazer ou ser o que quiser - a verdade que assombra é a nossa própria.

Os nossos porquês vão além das ciências quantitativas, o nosso intimo vai além do que as novelas podem mostrar... É quase impossível não se sentir incompreendido, ao menos uma vez. Talvez por isso criamos tantas utopias. Dias atrás ouvi uma frase no cinema (enquanto o vilão tentava convencer o mocinho de entregar-lhe um tesouro), ele dizia que se “todos soubessem a verdade, ninguém precisaria criar falsas motivações”. Acredito que o nosso maior medo seja justamente este: de um dia acordar e perceber que viveu motivando-se com bobagens... Um dos maiores conselhos que recebi foi: “faça coisas nobres, você não suportará viver uma vida de ninharias...” Sábio franciscano...

Mas prefiro pensar que nesse jogo de apostas, acertos e desacertos não devemos ser tão rudes ou severos conosco e com os demais. “Aposto que se se mostrassem muito exigentes comigo, haveriam de ver que não valho mais do que uma cebola...” (Fiódor Dostoievski – Crime e Castigo). Não é um mundo de fracassados convictos que proponho, muito menos de pessimistas, o que proponho é um mundo de tolerância. Estamos todos a caminho, aprendendo no seu ritmo próprio. Como pássaros recém nascidos, ainda de assas despreparadas, os seus dias são nossas décadas. Resta-nos a paciência de esperar por nós mesmos, no dia da real liberdade, o dia do vôo.
Podemos olhar para as galinhas e pensarmos que somos iguais, que nossas assas são nos levará longe... Mas temos a opção de acreditar, olhando para o alto e como águia ir preparando-se para voar.

Cada um tem um sonho escondido na alma, sonho este que às vezes é difícil até para saber qual é... Mas quando descobrimos, ele torna-se o sabor de nossas vidas e a motivação que nos leva a essa aprendizagem, a esse levantar vôo.

Gilson Alves
“Escrevo o que passa por mim, o que posso ser testemunha e nada a mais!”.

IMAGEM ORIGINAL: http://blogdoguh.files.wordpress.com/2009/07/voar.jpg

segunda-feira, 29 de março de 2010

Para quem sabe muito...

Há dias em que você vai levantar com a maior vontade do mundo de fazer tudo, de conhecer dezenas de pessoas, de andar por vários lugares, de sonhar todos os sonhos, de realizar todas as vontades, de falar todas as línguas, de utilizar todas as palavras que conhece, de rir todas as vezes que puder. Há dias em que você não vai querer levantar, não vai querer dar bom dia, não vai querer falar do seu final de semana (tenha ele sido bom ou ruim), não vai querer andar, pegar ônibus ou dirigir, talvez ir de carona, mas sem querer conversar ou falar o porquê amanheceu sem vontade nenhuma de ter vontade de alguma coisa.

Há dias em que sua profissão vai ser a melhor, que você vai se achar “o fera”, e que você pode fazer aquilo por mais algum tempo antes de mudar de área ou de interesse, porém há tempos que você vai pensar quando foi que você teve a infeliz idéia de optar por tal trabalho, área ou profissão, irá se questionar milhares de vezes sobre o que pretende fazer da vida, irá se sentir perdido, parado, fora de tudo, pode até conhecer todos os assuntos, mas nada irá lhe prender, ou aguçar algo, e vai tentar colocar na cabeça que tudo isso e normal, mas aquela bendita pedra no sapato, aquele mosquitinho azucrinando no seu ouvido o dia todo, fazendo com que você busque e priorize o que é melhor para você, mas com certeza isso irá te deixar mais confuso do que todas as outras coisas que você já tinha pensado.

O pior mesmo de tudo isso é que pode não durar um só dia, mas algumas semanas, meses ou anos... não que você vá ficar parado no tempo, mas é que vai fazer tanta coisa, que todas as coisas que fizer não vão te ajudar a escolher ou a ser algo.

Não que a vida seja difícil, de forma alguma, até porque somos nós humanos que complicamos, isso sem sombra de duvidas, mas é que algumas coisas parecem tão frustrantes que o que menos queremos é dor de cabeça. Desafios todo mundo quer e é algo bem interessante, mas ninguém precisa “chorar” dias e dias por algo que realmente te faz cair aos prantos de raiva.

O motivo pelo qual comento tudo isso, é que quando se chega a certo patamar é necessário escolher e se dedicar a uma coisa que realmente lhe preenche ou prenda por completo. Essa coisa me falta no momento, como deve faltar para mais alguém, e sinceramente me sinto aliviada por não ser a única a ficar perdida ou andando contra o fluxo.

Não acredito que seja errado ir, voltar, parar e refazer caminhos, sou a favor de se aventurar e arriscar com tudo e qualquer coisa, mas nada a nada, a opinião de outras pessoas tem um certo peso, e se não for isso, suas decisões podem envolver outras pessoas e devido a isso é necessário pensar antes de qualquer atitude.

Escolher uma carreira, uma profissão, ou mesmo entender a vida pessoal, escolher o que seria melhor para um namoro, para um casamento, para amizade ou qualquer tipo de relacionamento envolve muitas coisas ao mesmo tempo que não precisa envolver nada, mas para não envolver nada é necessário estar bem esclarecido sobre tudo o que se quer ser.

Quanto a mim só tenho aprendido tudo o que NÂO quero ser. O fato é que mais cedo ou mais tarde você terá que filtrar tudo aquilo que conseguiu absorver ai é que mora todas as indecisões e decisões. Sem contar que sua rotina irá influenciar em todas as escolhas, o seu trabalho, seus estudos, seus pais, famílias, os programas da TV, do rádio, internet e enfim, tudo é para se pensar.

Pode ser que você se sinta perdido em tudo, e isso ganhe um ar de negatividade, de fracasso, mas não é bem assim. Ouvi em uma palestra, que cada não que você recebe não é um fato ruim, você elimina um NÂO e significa que está mais próximo de um SIM. Tenho tentado acreditar nas palavras que ouvi, na esperança de que algo em algum lugar espera por mim (dos 100 Nãos, já devo ter eliminado uns 20) e que eu seja a melhor para isso, e que esse “isso” seja o melhor para mim. E assim sendo espero que um punhado de gente acredite no mesmo que eu.




Marisa Soares
26 anos, estudante de jornalismo, formada em locução, trabalhando com web. Ela, por ela mesma: "Amo tudo que seja intenso e que seja diferente todos os dias. Claro!, diferente para melhor!!"

domingo, 21 de março de 2010

Vícios e Virtudes, o equilíbrio


Durante os séculos da existência humana, o homem buscou aprimorar-se, viver melhor e ser melhor. Porém, nas histórias que temos relato e nas comprovações do cotidiano, percebemos que nossos problemas nascem do exagero ou da falta, em outras palavras do desequilíbrio. Desde os problemas físicos até as crises nos relacionamentos: faltou vitamina, cálcio, foi exagero em gordura... Ou faltou afeto, foi excesso de atenção... Enfim tudo é permeado pela medida e nós como desbravadores de uma vida melhor buscamos equilibrar essas medidas. O médico nos diz para comer menos doce, tomar mais água, o psicólogo nos diz para importarmos mais com nós mesmos e menos com os outros...

Pensando nessa ”luta entre as medidas” é inevitável chegar no que melhor lhe traduz: OS VICIOS E VIRTUDES.

Aristóteles classificava a virtude como parte da ética (geralmente a encontramos quando se fala de ética ou moral). Para ele a virtude era uma vitória da razão sobre os impulsos, era à busca da justa medida entre dois excessos, que se manifestava como hábitos. Os Estoicistas, que buscavam a apatia como ideal (para eles as paixões ofuscam o logos), viam o vício como um mal que danifica o nosso ser. Daí por diante diversos filósofos refletirão sobre o tema.

Aparentemente nos é claro a questão que a virtude é boa e o vício é mal, porém nos “embates da vida” percebemos que tudo depende do PONTO DE VISTA. Cada um, seja pela formação que teve ou pelo temperamento inato, aborda determinada causa de um ponto especifico. Isso é o que normalmente dificulta o consenso do que é bom ou ruim, também não há como negar que às vezes o vicio é escolhido, mesmo tendo um consenso da sociedade de que aquilo é ruim. A metafísica vai nos dizer que mesmo quando escolhemos um fim “menos bom” encontramos nele alguma vantagem.

Diante da explanação feita é perceptível o quanto a questão do PONTO DE EQUILIBRIO é um tanto intimista, porém não é licito cair no relativismo, a vida em sociedade a qual somos submetidos exige verdades supremas, consensos, um esforço para pensar no bem de todos, pois não há duvida que os desequilíbrios individuais alcançam a vida de terceiros.

Também não podemos esquecer que diversos pontos de vista traz riqueza a multiplicidade de pensamentos humano. Talvez a criatividade seja o grande diferencial de nosso gênero e o equilíbrio é encontrado de formas deferente por cada pessoa.

Gilson Alves


P.S: Este texto foi postado no BLOG do meu amigo Danilo Morreira (BLOG Ponto 3), por conta do aniversário de criação do blog.

IMAGEM: Filósofo entre o vício e a virtude, obra de Sanmachini Orazio
(http://ialexandria.sites.uol.com.br/imagens/classic/017ic.htm)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

De braços cruzados

Demorou, mas chegou a minha vez de dialogar aqui no FILOSOFAMOS.

O que me levou a reflexão que apresento agora foi uma música, sim a palavra cantada, ouço mais música do que leio, mas isso é outra história... Necessito ressaltar que foi uma MÚSICA. Segundo o dicionário Melhoramentos, música é a arte e técnica de combinar sons de maneira agradável ao ouvido, porém ouso fazer um recorte, e me referindo as músicas com letra, dizer que musica são aquelas que em sua letra levam o jogo útil e saboreável de palavras, que podemos chamar de poesia, assim exclui os “gemidinhos” e frases “chicletes” que invadem e poluem a cultura musical nacional. No entanto, isso foi um parêntese (que estava preso na minha garganta) do real tema dessas linhas.

“Até bem pouco tempo trás poderíamos mudar o mundo, quem roubou nossa coragem?” Grita Renato Russo em uma época de reivindicações... Seu eco chegou estes dias ao meu ouvido (isso porque já ouvi essa música uma centena de vezes), parei para pensar: - Meu Deus! O que a minha geração almeja mudar? O que reivindicamos? E no silêncio da resposta divina, comecei a pensar no mundo materialista preso aos seus brinquedos... Veja bem! Não sou um franciscano, nem ao menos vou doar os meus bens aos pobres, mas cheguei a conclusão que estamos satisfeitos com nossos celulares da moda, nossos super computadores, entre outros.

Não é uma critica a este estilo de vida, é uma critica a uma vida mergulhada unicamente neste estilo. “Poderíamos mudar o mundo”, este mundo ainda precisa ser mudado... Ou será que estamos satisfeitos? Foram diversos caminhos: acreditar em uma ética e moral rígidas, depois abandonar totalmente ambas e agir segundo interesses próprios, mas é perceptível que nada funcionou. Porque estamos de braços cruzados a brincar com as distrações que o mundo superficial nos oferece? “Quem roubou nossa coragem?”

Infelizmente, mesmo depois de tanto pensar, não cheguei a uma conclusão. Porém fiquei com o coração mais aliviado, pois as mudanças nascem do incômodo, a inquietude é o sinal de não estar tão anestesiado, desejo sorte aos estimados leitores deste texto.

Gilson Alves

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A Internet como meio de comunicação

Escrever para este blog é um grande desafio. Da filosofia, só tive experiências ruins. Lembro apenas do professor da Faculdade pedindo que eu assistisse a trilogia do filme Matrix e fizesse um relatório... Pouco, né? Ah! Como sou loira sempre mudo a frase “penso, logo existo, de René Descartes e digo: Penso, logo esqueço... sou loira.

Como a filosofia é amor ao saber...estou aqui, com minhas limitações intelectuais para falar um pouco sobre comunicação. Área que dediquei quase seis anos da minha vida (quatro na faculdade de jornalismo e um ano e oito meses na pós-graduação em criação e produção de revista).

Meu Artigo Científico para a conclusão da pós foi uma análise comparativa as principais mudanças editoriais ocorridas na revista Placar com o advento da Internet. Para começar o meu trabalho tive que conhecer Pierre Levy,. Doutor em sociologia e ciência da comunicação. Alguns também o chamam como filósofo da comunicação. Acho que ninguém se dedica tanto ao estudo da comunicação via WEB como este homem. Sem ler os livros dele não conseguiria seguir com minha linha de raciocínio.

O trabalho de conclusão envolveu uma revista que fala de um tema que dez entre dez brasileiros gosta ou acha que entende: futebol. Porém, ao ler os estudos de Pierre Levy pude observar como a sociedade passou a consumir a informação. Tudo é muito superficial. Não há tempo para se aprofundar em um único assunto. Fatos que antes passariam desapercebidos agora ganham espaço na “primeira página” dos grandes portais. Exemplo, uma árvore cai na Av D. Belmira Marin, no Grajaú. Há uns dez anos, até o carro de reportagem chegar, a árvore já teria sido retirada e apenas uma notinha seria dada, tanto na TV, como no rádio ou Jornal. Agora... se uma árvore cai em poucos instantes a foto estará na Internet, pois alguém passou no instante do acidente com um celular que tira foto e do próprio aparelho mandou para algum portal de informação... Assim, o mundo inteiro pode ficar sabendo que uma árvore caiu no extremo sul da cidade de São Paulo.

Tive um professor na Faculdade que ficava de madrugada esperando sair a edição do Estadão na Internet, isso em 2004. Agora imagina o desespero deste homem em tempos em que tudo vira notícia?

Pierre Levy, em seu livro A Inteligência Coletiva. Por uma antropologia do ciberespaço (1998) nos diz: “O desenvolvimento dos novos instrumentos de comunicação inscreve-se em uma mutação de grande alcance, à qual ele impulsiona, mas que o ultrapassa. Numa palavra: voltamos a ser nômades”.

A Internet é um meio fantástico de comunicação, mas por vezes nos perdemos e não paramos para pensar no que acabamos de ler. “Somos nômades” da informação sem uma meta de saber. É tanta informação que não existe profundidade em nada. Queremos tudo, mas não temos nada. Somos um mar de conhecimento com um dedo de profundidade.

Cuidemos para que não nos tornemos analfabetos funcionais de um meio de comunicação que tem tudo para nos ajudar a melhorar nossos conhecimentos, como este blog, por exemplo.



Janine Mendes
, 26 anos, formada em Jornalismo e pós-graduada em Criação e Produção de Revista. A moça escreve para um BLOG católico (catolicosdespertai.blogspot.com) e em breve estará com seu novo BLOG sobre futebol.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Falta de Luz (Obs: Personagem fictício)

Quando vi a luz do monitor se apagando, a primeira coisa que havia pensado era a de soltar um palavrão daqueles de cuspir a raiva toda para o ar. Mas, logo, um desânimo freou meus movimentos labiais, direcionando-os a emitir apenas um suspiro. Olhei em volta do meu quarto. Havia faltado luz. Logo naquele dia em que eu estava colocando novas fotos no Orkut?

Chovia lá fora. Ainda sim, havia claridade o suficiente para iluminar o quarto. Porém, não poderia sair com aquela tempestade. Estava sozinho em casa. Nem o telefone sem fio funcionava. O meu celular estava descarregado, e para ajudar, sem créditos. Estava, de repente, sem nada para fazer. Senti um tenebroso silêncio, quebrado apenas pelas gotas de chuva. Mais nada.

Sai do quarto e fui caminhando pela casa, angustiado. Não sabia para onde estava indo. Para a cozinha, talvez, comer alguma coisa. Cheguei até a geladeira. Estava toda escura por dentro. Ao pegar um prato com uma fatia de bolo, resolvi colocá-lo de volta no lugar. Algo me fez dispensar a fome, provocada pelo ócio forçado. Voltei para a copa, fuçando nas gavetas da cômoda alguma coisa que pudesse me entreter. Não encontrara nada de interessante.

Por um momento, reparei que aquela copa estava diferente. Tinham mudado algumas coisas de lugar. Flores, bibelôs, quadros, fotografias... Tinha uma foto minha de pequeno, antiga, de quando tinha cabelo grande. Como o tempo passou... E aquele bibelô de urso rosa? Desde que me entendo por gente ele está ali. Alguns objetos já estavam velhos, empoeirados, desbotados. Nunca tinha percebido o estado deles. Aliás, nunca tinha percebido a que estado havia chegado eles.

Dei uma volta nos quartos. O do meu irmão, bagunçado, cheio de revistas e cadernos, além de seus tênis esparramados pelo piso. O do meu outro irmão, mais organizado, estava sem aquela cômoda minúscula. Onde ela estava? Faz tempo que a tirou? Ele morria de ciúmes dela. E no quarto dos meus pais, a cama mogno já mostrava idade, com alguns arranhões na cabeceira de tanto que fora mudada de lugar. Não haviam comprado a cama num dia desses? Não, havia me lembrado, já fazia seis anos. Eu ainda estava na quarta série...

Vistos os quartos, voltei para o corredor. A minha angústia naquele vazio não parava. O que iria fazer agora? No que iria pensar agora? Engraçado como é o tempo. Vivia me queixando da falta dele, para lidar com os amigos, ver os vídeos no celular que me passavam por bluetooth, ver e responder os emails, atualizar meu Orkut, baixar músicas, etc, e agora, me via parado, estático, perdido, com um tempo enorme pela frente, mas sem nada para fazer, no vácuo...

E, já bem desanimado, resolvi voltar para a sala, me jogar no sofá, e ficar de cara para cima, esperando a luz chegar... ou o sono chegar, quem viesse primeiro.

Estiquei as pernas. Fiquei olhando perdidamente para o teto. Fiquei pensando em como ficara dependente dessas novas tecnologias, com esses vários gigas de espaço, interfaces gráficas perfeitas, ferramentas fantásticas, facilidades e praticidades incríveis. Mas bastava faltar luz... e toda essa tecnologia se fazia nula, desnecessária, impraticável, me deixando na mão, perdido. Realmente, o ser humano de hoje tem um péssimo mal de se acomodar demais com a tecnologia e as facilidades que o cerca, esquecendo-se de que vivemos milênios sem elas, que quase todas elas são movidas a eletricidade e baterias, que uma hora podem acabar.

Vivemos numa sociedade de sistemas, e quando eles caem, pessoas como eu ficam aflitas, não percebendo talvez, como é bom ficar um pouco no silêncio, na reflexão... Mal acostumados... e eu sou um exemplo disso...

E cerca de meia hora depois, a luz não chegou. Continuei perdido nos meus pensamentos, até que, aos poucos, o sono havia chegado. Dormi cinco minutos depois, sentindo uma leve paz por dentro...

Talvez, por ter me dado conta de que estava com os pés um pouco mais próximos do chão... e o tempo, um pouco mais próximo do meu domínio... e a mente, um pouco mais próxima do meu controle...

Quem sabe, poderia faltar luz mais algumas vezes...

Danilo Moreira
Por ele mesmo: "24 anos, estudante de Relações Públicas, amante fiel e incondicional da arte de escrever, sou capaz de viver as quatro estações num só dia. Caminho com meus objetivos na mente, mas com certas bagagens pesadas nas costas que as vezes doem - nada que atrapalhe o meu desejo de sempre respirar novos ares, e de mostrar ao mundo o melhor que posso oferecer."
Olha o BLOG do garoto: blogpontotres.blogspot.com

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

METAFÍSICA: A nova maneira de se compreender o Ser

A filosofia grega, iniciada pelos grandes pensadores da escola jônica, buscava entender o porquê das coisas e principalmente, encontrar respostas às perguntas sobre quem somos, de onde viemos, e para onde vamos?

Esse passo inicial foi fundamental para que os homens buscassem através dos efeitos e dos sinais sensíveis que os circundam, iniciar a caminhada rumo a uma explicação sobre a origem e o termo das coisas, que não fosse de uma ordem sensível, material, mas que pudesse ser de uma causa transcendente, metafísica.

Com Aristóteles, o passo inicial empreendido pelos ELEATAS tomou seu curso rumo a uma investigação sempre mais minuciosa acerca do SER, palavra essa utilizada pela primeira vez, pelo eleata Parmênides. Anaxágoras será o primeiro pré-socrático a considerar a existência de uma inteligência não sensível, responsável por gerir e ordenar a perfeição de todas as coisas.

Assim, deu-se início a uma busca sempre mais incessante por respostas que viessem a complementar esse ser de infinitas respostas que é o homem. O passo mais significativo rumo a inauguração da metafísica como ramo propriamente dito da filosofia, deu-se com o Estagirita, famosamente tido por Aristóteles.

Esse começo de explicações que não se fundassem apenas no material, mas que encontrasse suas razões últimas no imaterial, no metafísico, proporcionou que os homens pudessem ser vistos como seres que ultrapassavam os limites do material, e possuem em si algo de imaterial, a qual foi denominada ALMA.

Infelizmente, algo faltava ao conhecimento grego que lhes permitisse alcançar uma idéia racional precisa para explicar a existência das coisas. Para isso, era preciso que os gregos tomassem noção de um conceito que até então era de posse exclusiva do povo hebreu: essa noção era justamente a idéia de criação. Com a expansão do império romano, e a inevitável diáspora dos povos, houve um intercâmbio de cultura e conhecimento entre vários povos que habitavam terras dominadas pelos romanos. Foi justamente esse intercâmbio, recheado de uma nova religião denominada cristianismo, sobre forte influência da religião judia, que nasceu uma “nova” metafísica, onde aquele Deus grego, ordenador, inteligente, mas que se mantinha indiferente as coisas que existiam, se torna não só um Deus pessoal, que pensa e quer, mas um Deus Criador.

É aqui que entra a figura da patrística, que irá dominar o pensamento na idade medieval, tendo como bases principais Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, os quais darão, através do uso da razão, um aperfeiçoamento a nascente religião cristã, onde obrigatoriamente fé e razão terão de subsistir juntas.

Com Agostinho de Hipona teremos o florescer de uma nova maneira de metafisicamente ver a essência do homem. Deixaremos para o próximo texto, a esplêndida contribuição agostiniana para o desenvolvimento da metafísica, e seu reflexo até a modernidade.


Vitor Oliveira (21 anos) é seminarista da arquidiocese de Belo Horizonte, neste ano de 2010 cursará o terceiro ano de Filosofia no Instituto de Filosofia e Teologia Dom João Resende Costa.