sexta-feira, 17 de julho de 2015

A tríade de Peirce, categorias semióticas

Para Peirce o pensamento percorre um caminho tríadico. O autor se difere das vertentes que apostam na dualidade e considera um terceiro caminho, um mediador neste percurso. 



"Tenho uma análise do que aparece no mundo. Aquilo com que estamos lidando não é metafísica: é lógica, apenas. Portanto, não perguntemos o que realmente existe, apenas o que aparece a cada um de nós em todos os momentos de nossas vidas. Analiso a experiência, que é a resultante cognitiva de nossas vidas passadas, e nela encontro três elementos. Denomino-os Categorias".

Como primeiro, Primeiridade, Peirce considera a Originalidade. Para ele "O mundo seria reduzido a uma qualidade de sentimento não analisado. Haveria, aqui, uma total ausência de binaridade". Nesta dimensão da análise é necessário de antemão disponibilidade contemplativa. Aqui não cabe qualquer associação, o que precisa ser visto é olhado sem referência. A Primeiridade é puramente qualidade de sensação. Nesta categorização triádica, a Primeiridade é a mônada.

Após dissecar o que o signo tem de primeiro, de original, podemos partir para a Secundidade. É importante compreender que as categorias não são claramente separadas, elas se somam, no signo elas não podem ser dissociadas. O ato de discrimina-las é apenas uma metodologia para melhor compreensão das dimensões de análise. A Secundidade é o momento do conflito, da dualidade, trata-se do existente. De acordo com Peirce: "A díada é um fato individual, existencial; não tem generalidade. O ser de uma qualidade monádica é mera potencialidade, sem existência. A existência é puramente diádica". 

Em uma análise de Secundidade é possivel olhar o signo também de forma triádica: o signo em relação ao seu objeto, o signo em si mesmo e o signo em relação ao interpretante. Sobre signo, objeto e interpretante, Peirce diz: "Um signo "representa" algo para a ideia que provoca ou modifica. Ou assim - é um veículo que comunica à mente algo do exterior. O "representado" é o seu objeto; o comunicado, a significação; a ideia que provoca, o seu interpretante".

Por fim chegamos a Terceiridade. Essa é a categoria da generalidade, infinidade, continuidade, difusão, crescimento e inteligência. Aqui acontece a mediação entre Primeiridade e Secundidade. 

IMAGEM: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b6/Charles_Sanders_Peirce.png/320px-Charles_Sanders_Peirce.png


PS. O Material acima produzido e aqui publicado é resultado de anotações de aula e material recolhido em apostilas de professores. Para informações mais completas consulte uma obra específica.
Sobre Semiótica é interessante ler Lucia Santaella, Umberto Eco e o próprio Charles Sanders Peirce.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Estudo de caso: Pulp Fiction

ANÁLISE DO DISCURSO


CONTEXTO:

Pulp Fiction é um aclamado filme de Quentin Tarantino, muitos dizem ser o melhor filme do diretor. Lançado em 1994, o grande diferencial é a narrativa. O longa narra três histórias de forma não cronológica: Os mafiosos Vincent Vega e Jules Winnfield que executam uma cobrança, Vincent levando a esposa do chefe para se distrair e o falido boxeador Butch Coolidge que age contra o sistema. O premiado filme está disponível no Netflix Brasil.

ENREDO:



A cena é aquela na qual Vincent Veja (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) vão até o apartamento de Brett (Frank Whaley) para pegar a maleta de Marsellus Wallace (Ving Rhames). Eles se vingam em nome do chefe.






ANÁLISE DO TEXTO:

• O NÍVEL FUNDAMENTAL da narrativa é a Vingança. O NÍVEL NARRATIVO é a história dos assassinos de aluguel que vão cobrar a dívida quem os rapazes devem a seu chefe. Percebemos uma verborragia na Formação Discursiva, excesso de texto que não tem função específica na narrativa (desconsiderando, claro, a estética do texto. A contextualização como moderno, atual, popular).

• Jules fala (age) como SUJEITO no texto e não como INDIVÍDUO, particularmente ele não tem qualquer problema com os rapazes, no entanto, eles devem uma dívida ao seu grupo, ao seu chefe. Existe um código de ética que faz dele parte deste grupo e, portanto fiel a ele. Ele segue a formação ideológica do seu grupo.

• Logo quando chegam e se apresentam (- somos amigos do Marsellus Wallace, existe implícito a missão deles naquele local).

• O discurso exercido na fala de Jules é totalmente PERSUASIVO, ele não os tenta convencer de forma argumentativa, por mais que durante o diálogo haja uma simulada cumplicidade, logo que possível ele parte para uma verbalização agressiva e ameaçadora.

• Existe na fala de Jules uma certa POLIFONIA, mas talvez falseada. Há uma representação, uma vez é gentil e polida (compartilha) e em seguida há a agressão.

• Na citação do texto bíblico identificamos a INTERTEXTUALIDADE e a personalização da fala do matador de aluguel, que pega um texto emprestado para ser INDIVÍDUO.

• Jules é o sujeito mais atuante na história e seu objeto-valor é exercer a sua tarifa ali, como um assassino: matar. Mas não de qualquer forma, matar como quem cumpre a lei.

PS. Abaixo é possível assistir parte da cena no Youtube, é importante frisar que a Análise Discursiva se prende exclusivamente ao texto, uma análise análise Semiótica seria o ideal para falar do vídeo como um todo.



IMAGENS:
http://img08.deviantart.net/1231/i/2010/087/1/0/vincent_and_jules_by_neil_in_nz.png
http://fanaru.com/pulp-fiction/image/thumb/28404-pulp-fiction-pulp-fiction-poster-art.jpg

sábado, 9 de julho de 2011

Filosofar para compreender o HOMUS

Antes mesmo de a Antropologia ser um estudo independente, os filósofos já se preocupavam em saber quem era o homem, qual a sua posição nesse mundo e o que lhe fazia diferente dos animais.

Foram os Sofistas, filósofos pré-socrático, que deslocaram o interesse da Filosofia da natureza para o homem. Desde de o principio do filosofar humano (independente da filosofia em si, já que reparamos esse interesse também nas religiões antiqüíssimas), o homem percebeu que mais complexo do que o lhe cerca é si próprio.

São muitos os temas que nesses longos séculos encheram as mentes sedentas por respostas: a corporeidade humana, a existência da alma, a origem do homem, seu fim último, entre outros.

Correntes materialistas defenderam a visão do homem máquina, pensadores iluministas acreditaram na igualdade, liberdade e fraternidade humana. Alguns gritaram a importância e preciosidade do corpo, elegendo o pudor como arma de defesa. Outros afirmaram a existência da alma, condenando as ações que podem fazê-la perecer e identificando nela a ponte para o transcendente. Em sua maioria, os defensores de tais teses abraçavam suas hipóteses sem ter tempo de olhar ao lado...

A modernidade, talvez cansada de teses, transgrediu todas as regras. Depois de tanto se abraçar em aspectos optou por desacreditar de todos... A onda materialista nos fez desejar demais, até sermos consumidos por novos vírus e novas doenças psíquicas. A onda espiritualista fez surgir diversas seitas que tiraram os pés dos homens do chão e algumas resultaram em suicídios coletivos. A revolução por ideais “iluministas” parece não ter conseguido atingir mais do que a minoria abonada, muitos ainda continuam diferentes, presos e exilados...

Contudo, depois da experiência milenar, a humanidade parece olhar para si própria, para cada individuo, como um ser holístico. Não menosprezando a complexidade humana, mas as hipóteses teorizadas nos parecem hoje parte do todo, ao menos a parte já descoberta. O homem é tudo isso: corpo, alma, partes que montam um complexo inteiro, é igualdade, necessita da fraternidade e por excelência é livre. Não há duvidas de que todo o Globo terrestre ainda não compreendeu isso e o homem ainda é olhado por um aspecto em diversas partes do mundo. Principalmente se formos considerar as diferentes culturas que influenciam na formação cada individuo. Mas, é importante acreditar em uma poderosa arma que deve ser comunicada nesse mundo globalizado: a tolerância. E se o estudo, a intelectualização da natureza, não for para uma vida melhor então não vale de nada.

IMAGEM:  Homem Vitruviano - Leonardo da Vinci, 1490
http://static.infoescola.com/wp-content/uploads/2009/08/homemvitruviano.jpg

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Heróis semeiam a geração do futuro

A história produziu para nós diversos heróis, pessoas humanas como nós que por suas atitudes ou coragem marcou um grupo, se tornando deuses de suas histórias...

O mundo mudou, os hábitos mudaram e também a concepção de gente que faz a diferença. Hoje nossa geração toma como referência às “figurinhas carimbadas” pela mídia, que invadem nossas casas de todos os modos possíveis. Já não interessa a ação exercida, o que antes fazia a diferença, o importante hoje são os holofotes, as revistas de fofoca, enfim o famigerado: 15 minutos de fama!

Não faz tanto tempo que conclui o ensino médio... Recordo-me que os alunos protestavam contra as aulas de história. De que me interessa saber sobre quem já passou? Entendo que muitas delas estão maquiadas em nossos livros, mas não podemos negar que havia ideais... Quais os ideais dos heróis de hoje? Lançar bonecos com seus nomes?

Nos perdemos no cotidiano, no entanto, porque seguir falsos deuses, pessoas que não são referenciais de uma vida melhor?
Talvez as pessoas escolham sem pensar, imitam sem comparar. Uma forma de mitificar o outro e esquecer a própria existência, uma preguiça de planejar a própria vida, de lutar por ser quem se deseja...

Ninguém lhes falou sobre sonhos e desejos que vão alem das futilidades, ou estabeleceu conversas que falassem mais do que querem as mídias de massa.

Não me excluo dessa turma de olhos embaçados e horizonte pequeno, talvez a única diferença seja que algo me incomoda no estômago...

IMAGEM:
O Semeador, Van Gogh
http://amador.blogs.sapo.pt/arquivo/semeador.jpg

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A Expressão das Emoções

As emoções são algo universal, todo o ser humano as sente e as expressa, sendo a face o projetor de tudo. Um dos primeiros a pesquisar e publicar algo sobre as expressões humanas foi Charles Darwin, em seu livro “A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais” (1872). Darwin tentava explicar porque as expressões humanas são as mesmas independente da cultura, raça ou nível de instrução. Para ele as expressões do homem é algo conseqüente do processo evolutivo, elas são congênitas e não adquiridas.

No anos 70 uma pesquisa dos psicólogos Paul Ekman e Vincent Eriesen confirmam como universas as seguintes emoções: surpresa, tristeza, cólera, prazer, desprezo, nojo, vergonha e medo.

Para a ciência os responsáveis pelas emoções humanas são a insulina, o córtex pré-frontal e a amígdala; todas localizadas no cérebro. Os neurocientistas buscam o mapeamento dessas emoções, entre eles destaca-se o português Antônio Damásio que afirma em seu livro O erro de Descartes:

“Os sentimentos não são nem inatingíveis nem ilusórios. São o resultado de uma curiosa organização fisiológica que transformou o cérebro no público cativo das emoções teatrais do corpo”.

IMAGEM: http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/foto/0,,10901578,00.jpg

REFERENCIAS:

● http://pt.wikipedia.org
● www2.uol.com.br/vivermente
Revista Veja (14/02/2007), páginas 92 e 93
“A Anatomia das Emoções”, por Anna Paula Buchalla
● Revista Veja (11/04/2007), páginas 128 e 129
“Todas as caras da humanidade”, por Jerônimo Teixeira

sábado, 25 de setembro de 2010

Três coisas que amo, entendo e que não posso falar

Dureza viver em um país que se diz católico, mas não é. Amar a Igreja que o próprio Cristo fundou é questão de luta. Quando digo que sou católica praticante sou vista como um monstro, algo do além! Falar de Jesus, saber que ele existiu, nasceu e morreu por mim na cruz parece ser um pecado por ter aprendido isso na Igreja Católica Apostólica Romana.

Não sou exemplo de Cristã, mas amo Jesus. Do meu jeito, mas eu amo. A sociedade protestante, por suas palavras, tentam me sentir culpada por ter encontrado Jesus na Igreja de Roma.

O Arcebispo americano Fulton Sheen disse: "Talvez não haja nos Estados Unidos uma centena de pessoas que odeiem a Igreja Católica, mas há milhões de pessoas que odeiam o que erroneamente supõe o que seja a Igreja Católica". Sabias palavras. Peço licença ao Arcebispo e troco o "Estados Unidos" pelo mundo.

O respeito com o Católico passa longe e o famoso ecumenismo só acontece por nossa parte. Principalmente nas missas e grupos de oração por aí... É um tal de cantar música dos hereges...

Sou amante de uma boa história e a da minha Igreja é linda. Teve erros? Sim! Mas a maior prova de que a Igreja Católica é divina, sem sombra de dúvida, é a Idade Média. Tempo difícil, em que os homens quase destruíram a Igreja de Cristo.

No primeiro ano de Colegial, uma colega, neoprotestante, que dizia ter sido convertida pela Igreja Paz e Vida e mais duas garotas da Assembleia de Deus, me acuaram na sala de aula. Este dia eu não esqueço. Que dia abençoado da minha vida. Dia de perceber que estava no caminho certo.
Agradeço do fundo do meu coração estas três pessoas que me acusaram de idolatria; me xingaram de papa-hóstia; falaram que o Papa João Paulo II era a besta do apocalipse (risos)... Idiotas! Foi a primeira vez que vi falarem mal de João Paulo II... Neste dia também ouvir que o Pe Marcelo era "paga pau" dos "evangélicos", pois tinha inventado a Renovação Carismática Católica ao copiar seus cultos (quanta besteira). As amebas não sabem até hoje que não foi o Pe Marcelo que "inventou" a Renovação Carismática Católica. Você acha mesmo que elas procuraram saber? Se caso interessasse por história seriam católicas... Sem saber o que fazer comecei a chorar, pois não tinha o conhecimento e perdendo as estribeiras falei pra elas pegarem as músicas evangélicas e enfiarem no... vocês sabem a onde. Deste dia em diante busco conhecer cada detalhe da Igreja Católica, e por causa disso, não levo desaforo pra casa.

Às vezes sinto que exagero em meu zelo pela Igreja, mas como se calar quando alguém chama os padres de "punheiteiros"? É difícil, mas tenho tentado silenciar. RELIGIÃO NÃO SE DISCUTE.

Dei esta volta toda para dizer que amo a Igreja, mas que por respeito aos outros, mesmo tendo certeza absoluta de que estou certa, tenho de me calar.

Tenho outro problema... também gosto de futebol. Acredito fielmente que meu time é o melhor do mundo. Torço para o São Paulo que tem apenas 74 anos e já conquistou três libertadores, três mundiais de clubes, seis brasileiros... tem estádio desde a década de 1960. Tem time por aí bem
mais velho que vai demorar um pouco para chegar a tantas glórias. Estou aprendendo agora a ficar quieta, pois sou folgada, me acho dona da razão. Toda hora tenho de me policiar para não perder a cabeça. FUTEBOL NÃO SE DISCUTE.

Nasci em 1983 e lembro vagamente de quando o Brasil em sua primeira eleição direta para presidente elegeu Fernando Collor. Lembro do Itamar Franco e da implantação do Plano Real. Desde de sempre, não sei porque nunca gostei do PT (Partido dos Trabalhadores), sempre tive uma queda pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira). Ainda mais porque em
1999, graças a privatização da telefonia no país feita por Fernando Henrique Cardoso, pude ter telefone em casa. Depois que trabalhei na Subprefeitura do Jabaquara como estagiária, no ano de 2004 passei a ter mais asco do PT... só não me pergunte o motivo.... Talvez se eu tivesse nascido no nordeste... e recebesse uns trocadinhos por mês gostaria muito do PT

Ver o povo brasileiro que se diz cristão querendo votar na Dilma, me dói o coração. E a Marta? Deixa pra lá! Gosto do Serra e tenho tantos motivos para votar nele... Mas tenho de ficar quieta. POLÍTICA NÃO SE DISCUTE.

Sou Católica praticante, são-paulina entendida e tucana sem motivo. Estas três coisas fazem parte da minha vida, mas não posso gastar minha saliva em vãs discussões. O silêncio é a melhor opção.

Janine Mendes, 27 anos, formada em Jornalismo e pós-graduada em Criação e Produção de Revista. A moça escreve para um BLOG católico (catolicosdespertai.blogspot.com) e para BLOG sobre futebol (futeboloiro.blogspot.com)


terça-feira, 14 de setembro de 2010

A leitura

Diante do prazer de ler os livros podemos destacar logo de principio que o verbo mais apropriado para conectar o sujeito leitor às páginas de um livro qualquer não pode ser menor do que atravessar, perseguir, investir-se numa jornada. Atravessa-se um livro, página por página, pensamento por pensamento, com a arguta certeza de que se chegará ao outro lado do rio. O simples ato de abrir um livro, portanto, é o primeiro passo para a descoberta que se quer fazer do lado oposto ao que se estar. Dentro do barco, navegamos por versos que condensam emoções, sonhos, fantasias, conhecimentos, anseios, inquietações, reinvidicações e a vastidão do mundo guardada (embora não encerrada) na palavra escrita.

Mas não começamos a ler quando somos alfabetizados. Não. A nossa primeira leitura se dá na infância, entre galhos da arvore que a criança se dependura ela enxerga a possibilidade de se sustentar em algo imóvel. As folhas que se balançam lentamente trazem à tona a vontade de entender o porquê que essas arvores balançam; lêem-se o vento, descobrem-se a chance de ler até as coisas menos enxergáveis mas que movimentam as sementes da leitura.

Aos poucos, juntando sentidos, unindo percepções, formam-se as primeiras impressões do mundo. A primeira leitura, e talvez a mais caudalosa, são as nossas ações na meninice e as reflexões que fazemos delas.

Entra-se, ainda na infância, no mundo misterioso das palavras. Esses elementos vão condensando em si o significado que já se desbravou na leitura anterior de mundo, que, aliás, é contínua e vasa até a velhice, quando se (re)descobre coisas antes pensadas indesvendáveis.

Cabe a leitura suportar a complexidade do mundo, e fazê-lo, esforçadamente, tornar-se miúdo, pequeno, numa palavra com cinco letras. E é dessa forma que devemos perceber a leitura e sua importância. Ler bons livros, os clássicos, os atuais, revistas e jornais não são suficientes. É preciso ler o mundo, sem apegos as leituras antigas mas se valendo delas ao mesmo tempo. Costumo dizer que cada vez que olhamos o mundo, se o fizermos com cautela, perceberemos uma diferença enorme a da última visualizada. Nesse ínterim, para tanto, é preciso se desvencilhar dos preconceitos que a leitura distorcida ou leviana nos provoca. E não há quem não distorça a leitura. Afinal precisamos de nossas referências para que determinadas páginas nos atinja. Nesse aspecto que podemos entender que ao se ler determinado autor, estará, todavia, lendo vários autores mergulhados e conservados dentro dele.

Ao se atravessar as obras de Machado de Assis, por exemplo, notar-se-á, vividamente a intertextualidade e o diálogo constante com Kafka. Não se pode lembrar-se dos olhos de cigana obliqua e dissimulada sem, de antemão, ter conhecido uma cigana, tê-la observado os olhos repuxados, desviados, como se enxergasse tudo com sua altivez. Por isso, ao lermos uma página qualquer teremos que ter em mente o aviso de que diversas vozes estarão intercaladas dentro daquele molho de parágrafos. É de grata importância que o leitor não esteja desatento nem temeroso para ser, ao contrário do que se pensa, lido e absorvido pelo livro. Porque o momento da leitura nos provoca essa sensação. Não abrir mão dela é zelar pela leitura.



Bruno Silva

Sou o nada. O vicio. O adjetivo mal posto. O nó na garganta. O sujeito mal exposto. Estudante de Direito e aspirante a jornalista.

bsproducao.blogspot.com

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A nossa TV de cada dia

Quero começar confessando que não sou muito de escrever, mas existem momentos que praticamente imploram uma opinião sua é como se você sentisse que passou mais do que o limite... Nesta manhã estava assistindo o telejornal e me deparei com mais uma notícia da copa de 2014 dizendo que ontem a Arena Fonte Nova havia sido implodida para ser reconstruída uma nova... Arena Fonte Nova... que terá capacidade para 50 mil torcedores, os assentos serão cobertos e a estrutura deve contar com um restaurante panorâmico, com um museu do futebol e um espaço para shows e congresso. O custo? Uma “bagatela” de R$ 600 milhões... É incrível que quando se trata de fundos futebolísticos no país do futebol eles brotam... Instantaneamente, quanto à educação, saúde e moradia (necessidades básicas) já não possuem desta mesma fonte instantânea... O que me parece, é que, no lugar da nova arena estará se armando só mais um dos tantos “Coliseus” que irão brotar no país até a chegada da Copa. Não quero ser o chato que não gosta de futebol e copa, no momento do jogo torço por meu país como muitos torcem com revolta ao fracasso e urros de vitória, só não quero deixar de dizer que não acredito que seja uma boa distração assim como vimos no termo “panem et circenses”, a política do pão e do circo tão conhecida no tempo da Roma antiga e que acredito que se repete hoje em dia.

Logo após esta notícia vi a notícia de um caminhão que transportava 13 toneladas de bobinas havia acabado de tombar na marginal Tietê e que logo em seguida havia se formado um engarrafamento de quilômetros... e perai! O caminhão andava sozinho?! Se sim... que bom não feriu ninguém né! F... quem conduzia o caminhão importante mesmo foi o trânsito congestionado que ele deixou... Acho que vou parar por aqui só vou deixar um trecho da música Xanéu n° 5 do TM que acredito que se encaixa com o que sinto e escrevi.

“A minha TV tá louca, me mandou calar a boca e não tirar a bunda do sofá. Mas eu sou facinho de marré-de-sí, se a maré subir eu vou me levantar. Não quero saber se é a cabo nem se minha assinatura vai mudar tudo que aprendi, triste o fim do seriado, um bocado magoado sem saber o que será de mim. Ela não SAP quem eu sou, ela não fala a minha língua...”



Peço desculpas por usar muito a reticências, é que muitas vezes as coisas ficam assim mesmo...


Rafael Diego tem 21 anos, é formado em Design Gráfico e atua na área de produção gráfica. Reside na capital paulista, zona sul.



IMAGEM: http://webinsider.uol.com.br/wp-content/uploads/punk%20TV%2005.jpg

domingo, 15 de agosto de 2010

Capitães da Areia, Jorge Amado

Sem duvida diversos comentários, análises e reflexões já foram feitas sobre o texto Capitães da Areia, esse romance de Jorge Amado é como um novo mundo, dá margens para diversos outros textos. Minha intenção não é de forma nenhuma analisar o texto, mas falar de minha experiência pessoal com os meninos dessa Bahia.



Além da visível denúncia sobre a vida de crianças crescidas nas ruas, não que esse fato estivesse escondido, vejo Capitães da Areia como uma porta para o mundo interior da humanidade. Cada um tem dentro de si um moleque que possui dores e moléstias, medos e alegrias simples.

Procuramos, assim como Pirulito nos seus quadros de santos ou João Grande nos atabaques, o consolo divino. Por vezes nossa carência não vem da falta da família, mas por sua omissão, violência ou excesso de proteção. Somos como crianças soltas no mundo. As ruas da Bahia da história são substituídas pelas ruas da vida real. As aventuras, lutas, carrosséis, tem outras características. Mas sinto como que se o mundo fosse essa Bahia de Jorge Amado, assim como os Capitães, somos moleques a brincar com a malicia do mundo. Ele ancião e maldoso nos bate, nos faz tropeçar... Mas o homem é dotado de inteligência e vai aprendendo onde pisar.

Como na vida real, na história dos meninos da Bahia também há contradições, naquele grupo de moleques arruaceiros havia ordem. “As leis nunca tinham sido escritas, mas existiam na consciência de cada um deles”. Havia um sentimento de irmandade que os impulsionava a proteger uns aos outros. Na nossa vida real, ainda não aprendemos essas leis nos escritórios, escolas e famílias.

Então como julgar alguém por seus erros ou sua origem? Quem exige uma moral daquele que conheceu o lado excluído da sociedade? As diferenças no texto são gritantes, mas seus nuances estão ao nosso lado. A pobreza disfarçada do nosso vizinho, a violência recalcada de um amigo, a indiferença com os moradores de rua... E como “socializar” a todos?

A premissa é simples: “A liberdade é como o sol. É o bem maior do mundo”. Acredito que é isso que um homem deve ter para conhecer o que é bom: liberdade! Talvez por isso reformatórios e similares não funcionam.

Levanto-me, mesmo com vozes gritando o contrário, para reafirmar que acredito que a essência do homem é boa. È visível a sua inclinação para o mal, mas a exemplo dos Capitães da Areia, o mal é escolhido quando não há opção ou quando não se soube escolher. Não vejo o homem como criatura totalmente inocente, somos livres! Mas, não há duvidas, que a ignorância é nossa maior inimiga. Não acreditemos nos mocinhos sem máculas, os heróis são os que lutam e por lutarem erram. “Os homens assim são os que têm uma estrela no lugar do coração. E quando morrem o coração fica no céu...”

P.S. Em setembro/2010, dirigido por Cecília Amado, será lançado no país o longa metragem Capitães da Areia.

IMAGEM: http://www.diarioliberdade.org/archivos/imagenes/Capitaes_da_areia.jpg

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A poesia do Chico

Já faz meses que algumas músicas de Chico Buarque de Holanda não saem do meu MP4. Este ícone da cultura nacional, reconhecido internacionalmente, às vezes é desconhecido dos jovens de nossa época.

São muitos os versos que interpretados por Chico exercem uma “influência filosófica” em mim. Quando ouço Geni e o Zepelim fico pensando sobre a incoerência da vida a “normalidade” do usar e ser usado.

Quando ouço Minha História penso nos diversos homens sem genealogia, que vivem uma família com lacuna, penso nas situações em que nossos olhos ficam no horizonte esperando... Como os olhos da mãe retratada nesta canção.

É a sutileza doida de Trocando em Miúdos que me faz pensar nas vezes em que desejei esquecer as sombras de tudo, as marcas do amor, as melhores lembranças...

É o timbre do Chico, a escolha das palavras certas, a melodia harmoniosa que conduzem tão bem meus sentimentos... Músicas assim pedem mais do que serem ouvidas. Elas exigem uma absorção, porque de alguma forma, que ainda não sei como, elas unem arte e vida, obra e cotidiano e em uma identificação preciosa dá ao apreciador o poder de compreender (ou ao menos aceitar) a poesia real da própria vida.



Para Saber mais sobre Chico Buarque:
www.chicobuarque.com.br


IMAGEM: http://api.ning.com/files/GdMKY4SZcwGuYCq8I-RsiRReLDLHxakn2FzTG*9VdjomJOYsHKtqc*k6PlITGTYRvcZk6yw6jGoFr5kwgk9znKHRiU59CE2m/AVATARCHICOBUARQUEBYLIACOSTACARVALHO.jpg

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Luis Fernando Veríssimo no riso cotidiano

Já faz algum tempo que ouço falar de Luis Fernando Veríssimo, mas a pouco que me debrucei sobre alguns textos seus, para ser mais exato o livre O nariz & outras crônicas da coleção Para gostar de ler, Editora Ática.

Antes de expressar qualquer ponto de vista sobre os textos, me interessei em especial pelo fato que certa vez Veríssimo afirmou que nada aproveitou dos anos de escola, as particularidades de seu talento nasceram ao longo de sua vida profissional. Tenho a certeza de que o autor gaúcho não menospreza a vida acadêmica, mas compreende bem que a teoria é limitada em si própria, mas o conhecimento é dinâmico, é necessário encarná-lo na vida real.

De volta a obra, o que logo se percebe é o fino humor do autor, Luis Fernando tem um estilo leve, faceiro e cotidiano. Lembra as histórias contadas em família, na roda de amigos, no bar da esquina...

Como não entender o estresse da professora e a doçura da pequena Margarida em Peça Infantil? Ou, não se divertir com um natal contado um pouquinho diferente em A História, mais ou menos? Ou ainda, não concordar com o irônico texto Ponto de vista que satiriza os políticos de nossos pais?

Realmente os textos de Veríssimo estão de acordo com o tempo de hoje, são risos do cotidiano, que como proclama tão bem Chico Buarque de Holanda na música Meu Caro Amigo: “... a coisa aqui tá preta. Muita mutreta pra levar a situação. Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça...”.

IMAGEM ORIGINAL: http://www.agenciariff.com.br/autores/imagens/Luis%20Fernando%20VERISSIMO/Luis_Fernando_VERISSIMO.jpg

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Cartas entre amigos. Sobre medos contemporâneos, Fabio de Melo e Chalita

Nos tempos em que a tecnologia abreviou e sintetizou a comunicação a proposta de escrever cartas, ao menos para os que gostam de uma boa conversa, é sempre interessante.

Continuo acreditando que é necessário tempo e extenso vocabulário para refletir. Esclareço que não me refiro a um bocado de palavras sem justificativa ou a uma porção de palavras rebuscadas e não usuais. Falo do tempo como amadurecimento e de palavras que possibilitem o desenrolar de idéias.

Sem duvida, o motivo desta conversa, o tema que conduz este diálogo deve ter também a sua importância, ninguém deseja falar sobre algo que não nos apetece. Neste sentido, a carta dos amigos acerta em cheio, ela fala sobre medos contemporâneos. Dá para não se identificar? Medo da morte, da solidão, dos próprios limites... Cartas sobre amor e dor:

“Só ele (o amor) é capaz de nos livrar da morte definitiva, do esquecimento absoluto, porque nos reveste de memória, que será celebrada cada vez que formos recordados.” É o que sugere o Padre Fábio de Melo, um dos autores.

Gabriel Chalita (ex-secretario da Educação de São Paulo, membro da Academia Brasileira de Educação e da Academia Paulista de Letras.) falando sobre liberdade afirma que esta “faz com que cada um tenha o seu tempo de ruminação”. São muitas as divagações dos autores, sempre norteadas pela nobreza e fragilidade da vida humana.

Destaque para os poetas e filósofos referidos na obra, são inspirações em Adélia Prado, Nélida Pinõn, Cora Coralina, Hannah Arendt, entre outros. Fica claro no histórico de quem escreve, que a obra é repleta da moral cristã católica, mas isso não deve ser motivo para impedir sua leitura por aqueles que não simpatizam com a religião. Segundo os próprios autores: desejam criar pontes para chegar no outro! Vale a pena dar essa oportunidade.



IMAGEM: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipRpyIITePdgCQX-ieQBkSc9EzmDp9XFu5upmASpWOAufmBw3_gc9oxX7sgmZTwJ_Jth1HfHyybau7Dy9h7h9GnKjKzwMkH4yNQ_fyxHdARkcijhFyjB8DOPfeog88lgUKvRqyeWCDn-LF/s400/3_Cartas_entre_amigos_julho09%5B1%5D.jpg

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Na inquietude do tempo

É inegável a beleza da juventude, são olhos sem a venda dos limites. Braços que não duvidam suportar a carga e sorrisos sem a preocupação com as marcas de expressão.

Como algo recente, é também inegável que a juventude não possui uma série de noções. Falta-lhe a noção de que o tempo soluciona, que em tudo a espera é necessária e que o retrógrado pode ser um saudosismo bom.

Talvez a real beleza esteja na soma dos anos que aprende sem deixar de sorrir. É o orgulho de ter vivido que não sufoca o desejo de viver. Estar e não desejar que estivesse além ou no passado. Cantar e sorrir com experiência que omite o tempo e na tranqüilidade de se saber quem se é ir de encontro ao outro.

Na contramão do que o vento que move a sociedade sopra, eu desejo envelhecer! Só peço a Deus que os riscos das rugas me tragam sabedoria, ao menos sabedoria para olhar a metade dos erros que cometi sem amargura e abraçar em totalidade o que foi bom.


Gilson Alves
“Escrevo o que passa por mim, o que posso ser testemunha e nada mais!”.

IMAGEM: Arquivo Pessoal

sábado, 31 de julho de 2010

Um olhar sobre João Cabral

O TEXTO AO QUAL SE REFERE A RELEXÃO A SEGUIR ESTA NO FINAL DO POST

Neste texto vamos destrinchar a poética cabralina. Analisar o texto de João Cabral na óptica de Erza Pound: imagem, melodia, e conceito, e em O Ferrageiro de Carmona identificar as características do autor.

Cabral estabelece em seu texto uma conexão quando fala da mão e da forma, do ferro fundido e do ferro forjado, do ferrageiro e do poeta, do ferro e da palavra. Utilizando a metalingüística o poeta faz uma analogia e expõe como é para ele fazer poesia.

Para Cabral a poesia é uma quebra-de-braço, deve haver um ‘corpo a corpo’, o autor deve debruçar-se sobre a criação e diante das idéias vomitadas iniciar o trabalho artesanal, forjado, feito à mão. Sem esse processo não há poesia, não há esforço e isso se torna perceptível no texto.

A narrativa de O Ferrageiro de Carmona é primeiramente melódica, os versos têm um ritmo marcado. A fanopéia encontra-se mais discreta, mas mesmo assim nos remete a imagem de criação, produção artesanal. Toda essa construção nos mostra a perfeita ligação criada por Cabral entre a profissão do ferrageiro e a profissão do poeta.

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O Ferrageiro de Carmona

Um ferrageiro de Carmona
Que me informava de um balcão:
"Aquilo? É de ferro fundido,
foi a forma que fez não a mão.
Só trabalho em ferro forjado
que é quando se trabalha ferro;
então corpo a corpo com ele;
domo-o, dobro-o, até onde quero.

O ferro fundido é sem luta,
É só derramá-lo na fôrma.
Não há nele a queda de braço
e o cara a cara de uma forja.
Existe grande diferença
do ferro forjado ao fundido;
é uma distância tão enorme
que não pode-se medir a gritos.

Conhece a Giralda em Sevilha?
De certo subiu lá em cima.
Reparou nas flores de ferro
Dos quatro jarros das esquinas?

Pois aquilo é ferro forjado.
Flores criadas numa outra língua.
Nada têm das flores de fôrma
Moldadas pelas das campinas.
Dou-lhe aqui a humilde receita
Ao senhor que dizem ser poeta:
O ferro não deve fundir-se
Nem a voz ter diarréia.
Forjar: domar o ferro a força,
Não até uma flor já sabida,
Mas ao que pode até ser flor
Se flor parece a quem o diga."

João Cabral de Mello Neto


IMAGEM: http://ieqindustrialcontagem.zip.net/images/Ferreiro.jpg

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Yêdamaria


Yêdamaria é artista baiana, viveu nos Estados Unidos, a sua obra é composta por pinturas e gravuras. Ela é marcada pela composição vibrante de cores e pela forte delicadeza do gesto artístico, que representa as coisas do cotidiano com uma sensibilidade e um olhar marcadamente feminino.

Obras Selecionadas:

1. Mesa Romântica, 1986
Óleo sobre tela
Coleção particular


O quadro nos sugere uma tranquilidade de uma bela manhã, onde esta mesa nos convida a relaxar em uma pausa para o dia, talvez a visão do quadro é de alguém que está sentado nesta linda mesa olhando para a cadeira vazia esperando alguém que irá compartilhar daquele momento, uma pessoa amada para passar um momento romântico. A tela tem traços firmes e cores fortes, característicos da artista.



2. Barcos com frutas, 1964
Óleo sobre tela
Coleção Particular


A simplificação dos barcos nos remete à algo de cidadezinha pacata, algo provável mesmo do cotidiano, a cor do céu escuro pode nos lembrar que o dia está apenas começando.

Em 'Barcos com frutas' a artista nos mostra uma cena simples, destacada pela força dos traços dos barcos. A pintora não se preocupa com a perfeição em relação ao real, ela deseja transmitir emoção.

As obras de Yêdamaria traz a nosso olhos a feminilidade. Suas pinturas nos mostra um mundo delicado, colorido e novo. A luminosidade das cores com as quais pinta nos remete a um romantismo.


Referências:

* www.museuafrobrasil.com.br
* Revista Pontão de Cultura 2 (novembro 2006)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A internet como agente do comodismo e da alienação do homem contemporâneo

Vivemos em uma sociedade real sustentada em alicerces virtuais. Crianças, jovens, adultos e idosos compartilham a inércia intelectual provocada pelas facilidades da Internet.

Com apenas um clique, conhecemos o mundo, chegamos a lugares inimagináveis e temos acesso ilimitado ao conhecimento e a informação. Será?

A indústria cultural, mais uma vez, nos ilude com estratégias dissimuladas para o consumo desenfreado. A internet transforma o mundo real e tangível em um bem de consumo virtual, faz do livre acesso ao conhecimento e a informação, o seu diferencial e torna as relações humanas e sociais, cada vez mais impessoais e intangíveis.

A interatividade e a liberdade de navegação e pesquisa geram um fascínio social pelo MCM (Meio de Comunicação de Massa) Internet e levam seus usuários a dependência, a escravidão e a alienação. Para constatar esta realidade, basta pedir a um estudante, de qualquer área do conhecimento, uma pesquisa acadêmica, ou perguntar a um profissional da área de atendimento, quais são os procedimentos mais comuns para entrar em contato com seus clientes. O antigo papo em roda de amigos é substituído por batepapos virtuais, ou sites de relacionamentos. A velha e boa leitura é trocada por sites de busca e pesquisa. As pessoas se distanciam, cada vez mais, do tocar, do sentir, do tátil, do
real...

Claro que fatores como a globalização, o desenvolvimento tecnológico acelerado e as ideologias impostas por nosso sistema socio-econômico, exercem grande influência neste processo de alienação, mas é o comodismo, proporcionado pela Internet, que subtrai do indivíduo a capacidade crítica de análise e o torna refém de uma única fonte de informação, uma única fonte de conhecimento, uma única fonte de relacionamento.

Resgatar o relacionamento interpessoal, a pesquisa em bibliotecas e a dinâmica e riqueza do conhecimento tátil do mundo, é necessário e essencial para a fuga da passividade e da inércia social a que somos submetidos.



Rafael Galdin
Cursa o 6º semestre de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda, tem 22 anos e é Católico Apostólico Romano Corinthiano, como ele faz questão de enfatizar... Se auto descreve como " um velho ultrapassado que ainda crê no amor".



IMAGEM: Arquivo Pessoal

sábado, 17 de julho de 2010

EU RECOMENDO: Museu da Língua Portuguesa

Para aqueles que moram em São Paulo – mesmo estando nos extremos – não há do que reclamar quando o assunto é opção de passeio cultural. Temos museus, centros culturais, parques com diversas atividades....

Uma excelente dica é o MUSEU DA LINGUA PORTUGUESA. Localizado na estação da Luz, o museu aproveita da arquitetura belíssima do prédio para instalar-se criativamente. Basicamente o espaço é dividido em três andares: o primeiro andar traz sempre uma mostra temporária, o segundo andar conta de forma interativa a historia da língua portuguesa e como ela se transformou ao encontrar o solo brasileiro. Por fim, no terceiro andar, há uma exibição de um vídeo que conta o surgimento da linguagem, seguido de uma esplendida projeção composta por textos nacionais.

Destaques para:

- Beco das Palavras ou Jogo da Etimologia

- Mapa dos Falares

- Praça da Língua

- Lanternas das Influências ou Palavras Cruzadas

Museu da Língua Portuguesa Estação da Luz

Praça da Luz, s/nº
Centro - São Paulo - SP
(11) 3326-0775
museu@museudalinguaportuguesa.org.br / www.museudalinguaportuguesa.org.br

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Eu Paulistano















Sou filho do povo baiano
Que junto com o restante do nordeste
Tanto ajudou a construir o sudeste

Levantou as paredes de concreto da terra da garoa
Entre suor e lagrimas, calos e dores
Fincando nesse chão novos amores

Povo que largou o chão sofrido
Que só palma produzia
Rumo a cidade cinza onde a fumaça fluía

Gente que explorou os extremos
Saindo do centro e indo para margem
Formando os guetos e gerando nova paisagem

Aqui tudo resultou em encontros
Pernambucanos com baianos
Cearenses e alagoanos... Entre outros tantos

Como uma nova miscigenação
Brasileiros e brasileiros
Estreitando os laços, dando as mãos

Eu Paulistano, produto das linhas acima
Trabalho como os que aqui sempre trabalharam
Mas sonho como os que para este São Paulo migraram


Gilson Alves
“Que fique bem claro que o que me interessa são as pessoas e o jeito encantador com que o cotidiano desenha suas vidas”.

IMAGENS ORIGINAIS:
http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/imagens/sua-foto/2009/jun/2009-06-28-predios-sao-paulo.jpg

http://forademoda.files.wordpress.com/2007/07/sertanejo.jpg

terça-feira, 13 de julho de 2010

A visão de um povo


A visão é a identidade do ser humano, a forma como ele vê diz quem ele é. É através da visão que o homem compreende o mundo e se faz compreender, visão esta que vai além do órgão físico e alcança a consciência. Segundo Paulo César Lopes, professor de literatura, “O olhar é condicionado, mediado pela nossa experiência”, ou seja, vemos aquilo que experimentamos e somos fruto do que vivemos. As experiências que vamos tendo ao longo da vida forma a nossa opinião, a nossa ‘visão sobre as coisas’. Os nossos valores, conceitos e crença são fatores essenciais para determinar nosso olhar em relação ao mundo.

Lopes afirma que o olhar é uma interpretação, sendo assim mutável a cada pessoa. Diante da percepção do quanto a vida em sociedade nos molda é possível afirmar que a visão é uma construção social e individual, sendo formada e composta pela duas simultaneamente.

Pensando na visão física, quando nos falta algum dos sentidos o nosso corpo tende a aprimorar outros, por isso os cegos ouvem melhor e tem o tato mais apurado. Não enxergar deve ser ruim em qualquer situação, porém quando alguém que enxerga deixa de ver, lidar com a ausência da visão tornar-se mais difícil.

Certo dia fui ao oftalmologista para uma consulta de rotina, com a intenção de em seguida ir ao shopping comprar um celular, diferente das outras vezes, desta vez o médico decidiu dilatar minhas pupilas. Após um exame rápido estava liberado, ao sair da clínica percebi a alteração em minha visão, conseguia ler a placa do ônibus somente a uma certa distância, mesmo assim fui ao shopping. Chegando na loja peguei uma senha para ser atendido, mas não conseguia ler o número, eu sabia que havia umas três pessoas na minha frente, mesmo assim o número era ilegível para mim, retornei frustrado para casa. Nesta experiência percebi o quanto o ‘meu mundo’ necessitava da visão, o quanto olhar era importante para meu relacionamento com as coisas.

Desta experiência é possível irmos além fazendo a seguinte analogia: será que o povo não enxerga com os olhos dilatados? Será que nossa geração não está olhando para questões importantes, como a política, com um ‘olhar ilegível’? O resultado é visível um povo frustrado. Muitas são as reivindicações, todos sabem o que está errado, o que reclamar, mas a ‘revolta’ só vai até este ponto: reclamar para sentir-se melhor. Não são tomadas atitudes concretas - sim elas existem – a visão do povo se enche de conformismo impossibilitando uma transformação profunda da nação.


Gilson Alves
“Escrevo o que passa por mim, o que posso ser testemunha e nada mais!”.


O texto acima foi inspirado pelo documentário Janela da Alma, dirigido por João Jardim e Walter Carvalho. O documentário mostra o relato de diversas pessoas cegas e como elas percebem o mundo.

IMAGEM: http://files.nireblog.com/blogs/noemicosta/files/olhar.jpg

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Dia de Sol

Acho que sonhei com dias sempre ensolarados, em que nem a chuva ou o inverno omitia a alegria dos raios de calor.

Dias em que valia o ‘Carpe Diem’, dias de grandes empolgações nas pequenas coisas... Letras e melodias eram como a segunda parte do Telegrama do Zeca. Um clima para levar flores, desejar bom dia e distribuir beijos.

O infinito êxtase levava todos a criarem versos para a beleza do hoje. Como se houvesse milhões de músicas cantando os 40° do Rio, outras tantas para o cruzamento da Ipiranga com a Avenida São João e assim desbravando a Terra de Santa Cruz.

Rostos eram sorrisos e esperança era agir em favor do que era melhor para todos. Cada um fazia a sua pequena parte e o todo não deixava de ser feito.

Reclamação não era mais um murmúrio mudo, mencionado só para mostrar o quanto a sociedade não funcionava, mas era impulso para a criatividade de solucionar e reivindicar a quem deve ser.

As diferenças, neste dia de sol, eram entendidas por todos como algo que vem para agregar. Era a beleza dos sotaques, das raças, das idades... A beleza de ser quem se é.

Acordei com o telejornal, mas a tristeza das suas noticias selecionadas não bloquearam o meu dia de sol. Uma vez que entendi que ele é fonte que ilumina de dentro para fora.

Gilson Alves
“Escrevo o que passa por mim, o que posso ser testemunha e nada mais!”.

IMAGEM: http://ipt.olhares.com/data/big/35/355174.jpg