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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A Expressão das Emoções

As emoções são algo universal, todo o ser humano as sente e as expressa, sendo a face o projetor de tudo. Um dos primeiros a pesquisar e publicar algo sobre as expressões humanas foi Charles Darwin, em seu livro “A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais” (1872). Darwin tentava explicar porque as expressões humanas são as mesmas independente da cultura, raça ou nível de instrução. Para ele as expressões do homem é algo conseqüente do processo evolutivo, elas são congênitas e não adquiridas.

No anos 70 uma pesquisa dos psicólogos Paul Ekman e Vincent Eriesen confirmam como universas as seguintes emoções: surpresa, tristeza, cólera, prazer, desprezo, nojo, vergonha e medo.

Para a ciência os responsáveis pelas emoções humanas são a insulina, o córtex pré-frontal e a amígdala; todas localizadas no cérebro. Os neurocientistas buscam o mapeamento dessas emoções, entre eles destaca-se o português Antônio Damásio que afirma em seu livro O erro de Descartes:

“Os sentimentos não são nem inatingíveis nem ilusórios. São o resultado de uma curiosa organização fisiológica que transformou o cérebro no público cativo das emoções teatrais do corpo”.

IMAGEM: http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/foto/0,,10901578,00.jpg

REFERENCIAS:

● http://pt.wikipedia.org
● www2.uol.com.br/vivermente
Revista Veja (14/02/2007), páginas 92 e 93
“A Anatomia das Emoções”, por Anna Paula Buchalla
● Revista Veja (11/04/2007), páginas 128 e 129
“Todas as caras da humanidade”, por Jerônimo Teixeira

domingo, 15 de agosto de 2010

Capitães da Areia, Jorge Amado

Sem duvida diversos comentários, análises e reflexões já foram feitas sobre o texto Capitães da Areia, esse romance de Jorge Amado é como um novo mundo, dá margens para diversos outros textos. Minha intenção não é de forma nenhuma analisar o texto, mas falar de minha experiência pessoal com os meninos dessa Bahia.



Além da visível denúncia sobre a vida de crianças crescidas nas ruas, não que esse fato estivesse escondido, vejo Capitães da Areia como uma porta para o mundo interior da humanidade. Cada um tem dentro de si um moleque que possui dores e moléstias, medos e alegrias simples.

Procuramos, assim como Pirulito nos seus quadros de santos ou João Grande nos atabaques, o consolo divino. Por vezes nossa carência não vem da falta da família, mas por sua omissão, violência ou excesso de proteção. Somos como crianças soltas no mundo. As ruas da Bahia da história são substituídas pelas ruas da vida real. As aventuras, lutas, carrosséis, tem outras características. Mas sinto como que se o mundo fosse essa Bahia de Jorge Amado, assim como os Capitães, somos moleques a brincar com a malicia do mundo. Ele ancião e maldoso nos bate, nos faz tropeçar... Mas o homem é dotado de inteligência e vai aprendendo onde pisar.

Como na vida real, na história dos meninos da Bahia também há contradições, naquele grupo de moleques arruaceiros havia ordem. “As leis nunca tinham sido escritas, mas existiam na consciência de cada um deles”. Havia um sentimento de irmandade que os impulsionava a proteger uns aos outros. Na nossa vida real, ainda não aprendemos essas leis nos escritórios, escolas e famílias.

Então como julgar alguém por seus erros ou sua origem? Quem exige uma moral daquele que conheceu o lado excluído da sociedade? As diferenças no texto são gritantes, mas seus nuances estão ao nosso lado. A pobreza disfarçada do nosso vizinho, a violência recalcada de um amigo, a indiferença com os moradores de rua... E como “socializar” a todos?

A premissa é simples: “A liberdade é como o sol. É o bem maior do mundo”. Acredito que é isso que um homem deve ter para conhecer o que é bom: liberdade! Talvez por isso reformatórios e similares não funcionam.

Levanto-me, mesmo com vozes gritando o contrário, para reafirmar que acredito que a essência do homem é boa. È visível a sua inclinação para o mal, mas a exemplo dos Capitães da Areia, o mal é escolhido quando não há opção ou quando não se soube escolher. Não vejo o homem como criatura totalmente inocente, somos livres! Mas, não há duvidas, que a ignorância é nossa maior inimiga. Não acreditemos nos mocinhos sem máculas, os heróis são os que lutam e por lutarem erram. “Os homens assim são os que têm uma estrela no lugar do coração. E quando morrem o coração fica no céu...”

P.S. Em setembro/2010, dirigido por Cecília Amado, será lançado no país o longa metragem Capitães da Areia.

IMAGEM: http://www.diarioliberdade.org/archivos/imagenes/Capitaes_da_areia.jpg

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A poesia do Chico

Já faz meses que algumas músicas de Chico Buarque de Holanda não saem do meu MP4. Este ícone da cultura nacional, reconhecido internacionalmente, às vezes é desconhecido dos jovens de nossa época.

São muitos os versos que interpretados por Chico exercem uma “influência filosófica” em mim. Quando ouço Geni e o Zepelim fico pensando sobre a incoerência da vida a “normalidade” do usar e ser usado.

Quando ouço Minha História penso nos diversos homens sem genealogia, que vivem uma família com lacuna, penso nas situações em que nossos olhos ficam no horizonte esperando... Como os olhos da mãe retratada nesta canção.

É a sutileza doida de Trocando em Miúdos que me faz pensar nas vezes em que desejei esquecer as sombras de tudo, as marcas do amor, as melhores lembranças...

É o timbre do Chico, a escolha das palavras certas, a melodia harmoniosa que conduzem tão bem meus sentimentos... Músicas assim pedem mais do que serem ouvidas. Elas exigem uma absorção, porque de alguma forma, que ainda não sei como, elas unem arte e vida, obra e cotidiano e em uma identificação preciosa dá ao apreciador o poder de compreender (ou ao menos aceitar) a poesia real da própria vida.



Para Saber mais sobre Chico Buarque:
www.chicobuarque.com.br


IMAGEM: http://api.ning.com/files/GdMKY4SZcwGuYCq8I-RsiRReLDLHxakn2FzTG*9VdjomJOYsHKtqc*k6PlITGTYRvcZk6yw6jGoFr5kwgk9znKHRiU59CE2m/AVATARCHICOBUARQUEBYLIACOSTACARVALHO.jpg

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Luis Fernando Veríssimo no riso cotidiano

Já faz algum tempo que ouço falar de Luis Fernando Veríssimo, mas a pouco que me debrucei sobre alguns textos seus, para ser mais exato o livre O nariz & outras crônicas da coleção Para gostar de ler, Editora Ática.

Antes de expressar qualquer ponto de vista sobre os textos, me interessei em especial pelo fato que certa vez Veríssimo afirmou que nada aproveitou dos anos de escola, as particularidades de seu talento nasceram ao longo de sua vida profissional. Tenho a certeza de que o autor gaúcho não menospreza a vida acadêmica, mas compreende bem que a teoria é limitada em si própria, mas o conhecimento é dinâmico, é necessário encarná-lo na vida real.

De volta a obra, o que logo se percebe é o fino humor do autor, Luis Fernando tem um estilo leve, faceiro e cotidiano. Lembra as histórias contadas em família, na roda de amigos, no bar da esquina...

Como não entender o estresse da professora e a doçura da pequena Margarida em Peça Infantil? Ou, não se divertir com um natal contado um pouquinho diferente em A História, mais ou menos? Ou ainda, não concordar com o irônico texto Ponto de vista que satiriza os políticos de nossos pais?

Realmente os textos de Veríssimo estão de acordo com o tempo de hoje, são risos do cotidiano, que como proclama tão bem Chico Buarque de Holanda na música Meu Caro Amigo: “... a coisa aqui tá preta. Muita mutreta pra levar a situação. Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça...”.

IMAGEM ORIGINAL: http://www.agenciariff.com.br/autores/imagens/Luis%20Fernando%20VERISSIMO/Luis_Fernando_VERISSIMO.jpg

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Cartas entre amigos. Sobre medos contemporâneos, Fabio de Melo e Chalita

Nos tempos em que a tecnologia abreviou e sintetizou a comunicação a proposta de escrever cartas, ao menos para os que gostam de uma boa conversa, é sempre interessante.

Continuo acreditando que é necessário tempo e extenso vocabulário para refletir. Esclareço que não me refiro a um bocado de palavras sem justificativa ou a uma porção de palavras rebuscadas e não usuais. Falo do tempo como amadurecimento e de palavras que possibilitem o desenrolar de idéias.

Sem duvida, o motivo desta conversa, o tema que conduz este diálogo deve ter também a sua importância, ninguém deseja falar sobre algo que não nos apetece. Neste sentido, a carta dos amigos acerta em cheio, ela fala sobre medos contemporâneos. Dá para não se identificar? Medo da morte, da solidão, dos próprios limites... Cartas sobre amor e dor:

“Só ele (o amor) é capaz de nos livrar da morte definitiva, do esquecimento absoluto, porque nos reveste de memória, que será celebrada cada vez que formos recordados.” É o que sugere o Padre Fábio de Melo, um dos autores.

Gabriel Chalita (ex-secretario da Educação de São Paulo, membro da Academia Brasileira de Educação e da Academia Paulista de Letras.) falando sobre liberdade afirma que esta “faz com que cada um tenha o seu tempo de ruminação”. São muitas as divagações dos autores, sempre norteadas pela nobreza e fragilidade da vida humana.

Destaque para os poetas e filósofos referidos na obra, são inspirações em Adélia Prado, Nélida Pinõn, Cora Coralina, Hannah Arendt, entre outros. Fica claro no histórico de quem escreve, que a obra é repleta da moral cristã católica, mas isso não deve ser motivo para impedir sua leitura por aqueles que não simpatizam com a religião. Segundo os próprios autores: desejam criar pontes para chegar no outro! Vale a pena dar essa oportunidade.



IMAGEM: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipRpyIITePdgCQX-ieQBkSc9EzmDp9XFu5upmASpWOAufmBw3_gc9oxX7sgmZTwJ_Jth1HfHyybau7Dy9h7h9GnKjKzwMkH4yNQ_fyxHdARkcijhFyjB8DOPfeog88lgUKvRqyeWCDn-LF/s400/3_Cartas_entre_amigos_julho09%5B1%5D.jpg

sábado, 31 de julho de 2010

Um olhar sobre João Cabral

O TEXTO AO QUAL SE REFERE A RELEXÃO A SEGUIR ESTA NO FINAL DO POST

Neste texto vamos destrinchar a poética cabralina. Analisar o texto de João Cabral na óptica de Erza Pound: imagem, melodia, e conceito, e em O Ferrageiro de Carmona identificar as características do autor.

Cabral estabelece em seu texto uma conexão quando fala da mão e da forma, do ferro fundido e do ferro forjado, do ferrageiro e do poeta, do ferro e da palavra. Utilizando a metalingüística o poeta faz uma analogia e expõe como é para ele fazer poesia.

Para Cabral a poesia é uma quebra-de-braço, deve haver um ‘corpo a corpo’, o autor deve debruçar-se sobre a criação e diante das idéias vomitadas iniciar o trabalho artesanal, forjado, feito à mão. Sem esse processo não há poesia, não há esforço e isso se torna perceptível no texto.

A narrativa de O Ferrageiro de Carmona é primeiramente melódica, os versos têm um ritmo marcado. A fanopéia encontra-se mais discreta, mas mesmo assim nos remete a imagem de criação, produção artesanal. Toda essa construção nos mostra a perfeita ligação criada por Cabral entre a profissão do ferrageiro e a profissão do poeta.

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O Ferrageiro de Carmona

Um ferrageiro de Carmona
Que me informava de um balcão:
"Aquilo? É de ferro fundido,
foi a forma que fez não a mão.
Só trabalho em ferro forjado
que é quando se trabalha ferro;
então corpo a corpo com ele;
domo-o, dobro-o, até onde quero.

O ferro fundido é sem luta,
É só derramá-lo na fôrma.
Não há nele a queda de braço
e o cara a cara de uma forja.
Existe grande diferença
do ferro forjado ao fundido;
é uma distância tão enorme
que não pode-se medir a gritos.

Conhece a Giralda em Sevilha?
De certo subiu lá em cima.
Reparou nas flores de ferro
Dos quatro jarros das esquinas?

Pois aquilo é ferro forjado.
Flores criadas numa outra língua.
Nada têm das flores de fôrma
Moldadas pelas das campinas.
Dou-lhe aqui a humilde receita
Ao senhor que dizem ser poeta:
O ferro não deve fundir-se
Nem a voz ter diarréia.
Forjar: domar o ferro a força,
Não até uma flor já sabida,
Mas ao que pode até ser flor
Se flor parece a quem o diga."

João Cabral de Mello Neto


IMAGEM: http://ieqindustrialcontagem.zip.net/images/Ferreiro.jpg

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Yêdamaria


Yêdamaria é artista baiana, viveu nos Estados Unidos, a sua obra é composta por pinturas e gravuras. Ela é marcada pela composição vibrante de cores e pela forte delicadeza do gesto artístico, que representa as coisas do cotidiano com uma sensibilidade e um olhar marcadamente feminino.

Obras Selecionadas:

1. Mesa Romântica, 1986
Óleo sobre tela
Coleção particular


O quadro nos sugere uma tranquilidade de uma bela manhã, onde esta mesa nos convida a relaxar em uma pausa para o dia, talvez a visão do quadro é de alguém que está sentado nesta linda mesa olhando para a cadeira vazia esperando alguém que irá compartilhar daquele momento, uma pessoa amada para passar um momento romântico. A tela tem traços firmes e cores fortes, característicos da artista.



2. Barcos com frutas, 1964
Óleo sobre tela
Coleção Particular


A simplificação dos barcos nos remete à algo de cidadezinha pacata, algo provável mesmo do cotidiano, a cor do céu escuro pode nos lembrar que o dia está apenas começando.

Em 'Barcos com frutas' a artista nos mostra uma cena simples, destacada pela força dos traços dos barcos. A pintora não se preocupa com a perfeição em relação ao real, ela deseja transmitir emoção.

As obras de Yêdamaria traz a nosso olhos a feminilidade. Suas pinturas nos mostra um mundo delicado, colorido e novo. A luminosidade das cores com as quais pinta nos remete a um romantismo.


Referências:

* www.museuafrobrasil.com.br
* Revista Pontão de Cultura 2 (novembro 2006)

sábado, 17 de julho de 2010

EU RECOMENDO: Museu da Língua Portuguesa

Para aqueles que moram em São Paulo – mesmo estando nos extremos – não há do que reclamar quando o assunto é opção de passeio cultural. Temos museus, centros culturais, parques com diversas atividades....

Uma excelente dica é o MUSEU DA LINGUA PORTUGUESA. Localizado na estação da Luz, o museu aproveita da arquitetura belíssima do prédio para instalar-se criativamente. Basicamente o espaço é dividido em três andares: o primeiro andar traz sempre uma mostra temporária, o segundo andar conta de forma interativa a historia da língua portuguesa e como ela se transformou ao encontrar o solo brasileiro. Por fim, no terceiro andar, há uma exibição de um vídeo que conta o surgimento da linguagem, seguido de uma esplendida projeção composta por textos nacionais.

Destaques para:

- Beco das Palavras ou Jogo da Etimologia

- Mapa dos Falares

- Praça da Língua

- Lanternas das Influências ou Palavras Cruzadas

Museu da Língua Portuguesa Estação da Luz

Praça da Luz, s/nº
Centro - São Paulo - SP
(11) 3326-0775
museu@museudalinguaportuguesa.org.br / www.museudalinguaportuguesa.org.br

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Eu Paulistano















Sou filho do povo baiano
Que junto com o restante do nordeste
Tanto ajudou a construir o sudeste

Levantou as paredes de concreto da terra da garoa
Entre suor e lagrimas, calos e dores
Fincando nesse chão novos amores

Povo que largou o chão sofrido
Que só palma produzia
Rumo a cidade cinza onde a fumaça fluía

Gente que explorou os extremos
Saindo do centro e indo para margem
Formando os guetos e gerando nova paisagem

Aqui tudo resultou em encontros
Pernambucanos com baianos
Cearenses e alagoanos... Entre outros tantos

Como uma nova miscigenação
Brasileiros e brasileiros
Estreitando os laços, dando as mãos

Eu Paulistano, produto das linhas acima
Trabalho como os que aqui sempre trabalharam
Mas sonho como os que para este São Paulo migraram


Gilson Alves
“Que fique bem claro que o que me interessa são as pessoas e o jeito encantador com que o cotidiano desenha suas vidas”.

IMAGENS ORIGINAIS:
http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/imagens/sua-foto/2009/jun/2009-06-28-predios-sao-paulo.jpg

http://forademoda.files.wordpress.com/2007/07/sertanejo.jpg

segunda-feira, 21 de junho de 2010

LIVRO: Como se não houvesse amanhã, org. Henrique Rodrigues


O livro é uma homenagem à banda que se tornou uma das mais influentes de sua época no cenário da musica nacional: Legião Urbana.

Como se não houvesse amanhã trás 20 contos inspirados em músicas da Legião. “A tristeza doce, a indignação social, as aproximações e distanciamentos entre as pessoas, a sobrevivência urgente do amor, a esperança buscada e fugida e tantos outros temas foram legados por Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá de forma estritamente poética e atemporal”.(Henrique Rodrigues)

Na incapacidade de comentar textos tão íntimos e de tamanha largura de interpretações... Com essa obra faço diferente e escrevo o meu conto, o vigésimo primeiro. (clique aqui e confira)


IMAGEM: http://semtedio.com/wp-content/uploads/2010/03/CSNHA.jpg

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Crime e Castigo, Fiódor Dostoievski

Crime e Castigo narra a incrível história de Raskólnikov, estudante miserável de São Petersburgo. Incrível não no sentido “heróico”, em que opõem terríveis vilões a santíssimos mocinhos, mas o que surpreende no romance é o estilo de Dostoievski de dessecar a alma humana, como faz com seu anti-herói.

A principio e ao longo da narrativa Fiódor mostra o quando conhecia a cidade e não cansa de grafar ricas descrições: “... à vizinhança de casas de prostituição, uma multidão de operários e de artesãos, amontoados nas travessas e naqueles becos sem saída...”.

O protagonista faz o tipo de personagem que mesmo transgredindo regras sociais é digno de ganhar simpatizantes. No inicio da narrativa já nos é claro as reais condições financeiras de Raskólnikov. Ex-estudante de direito e desempregado, ele busca uma velha (Alióna Ivanóvna) para mais uma vez empenhar algo, desta vez um relógio de prata.

Este é o inicio da execução de um plano que há tempos martelava em sua mente, mas que ele relutava em aceitar: “Oh, Senhor, como tudo isso é repugnante. Será possível que eu... Não, são tolices absurdas, completou, resolutamente”. É claro que este plano como o próprio título da obra nos alerta é o crime.

Em torno deste denso personagem surgem as demais figuras. Marmeládov o funcionário bêbado e sua família, Raszumikhin o amigo da faculdade, Pulkheria sua mãe, Dúnetcha sua irmã, entre outros. Com este quadro o autor vai desenhando a complexa personalidade de Raskólnikov e dos que o circundam. Tudo isso entre crime, devaneios, lucidez, convicções e embate de valores.



Para saber mais sobre o autor russo clique aqui



IMAGENS:


http://www.codevasf.gov.br/principal/biblioteca/literatura-de-livros/dostoievski-fiodor-crime-e-castigo.jpg


http://palavraguda.files.wordpress.com/2007/09/dostoievski.jpg




sábado, 29 de maio de 2010

FILME: Ponto de Mutação


A visão mecanicista e o método cientifico permanecem presentes na percepção da sociedade atual. Assim como propunha Descartes ao falar do corpo, o homem continua fatiando e olhando as partes, solucionando “engrenagens quebradas” sem pensar no todo.

No que se refere a somaticidade, o mundo filosófico já mostrou o quanto afirmar que o homem é máquina é algo equivocado. O homem não é máquina, mesmo reconhecendo a importância do método científico concorda-se que o organismo vivente se difere muito da máquina: ele se adapta, é empírico, entre outras coisas.

Mesmo parecendo que o mundo hoje está enxergando a pessoa humana, a natureza e discutindo sustentabilidade, o longa metragem Ponto de Mutação vem dialogar sobre o quanto a política ainda está repleta do pensamento cartesiano. As decisões do Estado não olham a teia de relações que há entre o homem, consigo e com o mundo.

Hoje a ciência afirma que casos como o aborto é uma questão de saúde, que não cabe a moral, a ética ou a religião opinar. Representado na personagem de Sônia (a física), o filme mostra o quanto todos estão cansados de confiar a solução dos problemas na ciência. Defendido pela Teoria dos Sistemas Vivos, vemos a coerência do pensamento ecológico: se todos estamos relacionados, como em uma conexão, é necessário que todos estejam bem, é necessário ir contra a visão mecanicista e olhar o todo, mudar a percepção com relação ao homem e ao mundo e esse é o convite do filme.

A visão de mundo, e do próprio homem, apresentada por Sônia utiliza o método fenomenológico, ela nos convida a suspender o julgamento e olhar como que pela primeira vez. É uma visão onde todos estão conectados e tudo faz parte de um sistema maior. A fenomenologia é o que possibilita a ponte entre o cientifico (tão experimentado pela própria Sônia) e o metafísico (representado no filme pelo poeta, que busca refletir sobre a verdade; sobre Deus, o homem e o mundo).

IMAGENS ORIGINAIS:
http://images.quebarato.com.br/photos/big/2/3/1CC223_1.jpg
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhBLcXdcl2CmyCI89Nwydy7LE1QAhWNY4aDLTFBh1nLKNa241E3yTOLi_O7eaWHMv7GrSOV9Cr16ePfjugoiSwRpi5jcPqKbV_0r8W-qdVmnc-K78S5nEq7K7VqIH4ayE-XEE6_GPVFVek/s400/Ponto+de+Mutacao.jpg
http://cafesfilosoficos.files.wordpress.com/2010/01/1423bd_1.jpg
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj7lyoqGZF929Pa3a8G6cdqVq0azqMb5AhCv9F15qVGupOcp2K4ydAaPwugb3VuwF7XqzLzCc6tfdMZX_FUB7OrpFgBuyp3fEKraXzP9XfnXSskAYCQERni9RxJ-1i4Sx2paNJRDbFjrhU/s320/Ponto+de+muta%C3%A7%C3%A3o.jpg

sábado, 8 de maio de 2010

O Hobbit

É incrível como Tolkien relata tão bem tempos em que havia honra e nobreza. Sua narrativa me lembrou os mitos, não no sentido de buscar uma explicação para algo, mas no sentido que acontecem em um passado imemorial. Sem dúvida esse escritor não precisa de mais um texto rasgando-lhe elogios, pois sua literatura já é reconhecida a muito tempo, contudo brotou em mim o desejo de falar sobre O HOBBIT.


O livro trás uma história incrivelmente desenhada que comporta no seu interior diversas outras aventuras. Literalmente o Hobbit é um ‘novo mundo’ que dá vazão para imaginar diversos contos. O autor consegue magistralmente imprimir nos seus personagens o que há de intrínseco na alma humana, ele avança para águas mais profundas, deixando para trás o superficial e criando personagens sensíveis.

Bilbo Bolseiro é o protagonista do livro, ele é o hobbit. De baixa estatura e subjugado pelo seu modo de viver, Bilbo vai mostrando ao longo da narrativa sua coragem, esperteza e o seu nobre coração. Contrariando o próprio modo de ser de seu povo, ele aceita uma aventura, acompanhado de 13 anões e do mago Gandalf. O mago é o personagem “coringa” da história, é ele que os salva das grandes roubadas, também foi ele quem escolheu o hobbit Bilbo para juntar-se aos anões.

Na realidade a aventura é primeira dos anões, pois são eles que estão indo as Montanhas Solitárias atrás de tomar o tesouro que um dragão (Smaug) havia roubado a muito tempo de sua família. Vale a pena conferir e deliciar-se com o texto.

“É estranho, mas as coisas boas e os dias agradáveis são narrados depressa, e não há muito que ouvir sobre eles, enquanto as coisas desconfortáveis, palpitantes e até mesmo horríveis podem dar uma boa história e levar um bom tempo para contar” ¹

1. J.R.R TOLKIEN, O Hobbit, p. 50


IMAGEM ORIGINAL: http://www.rabittooth.com/RabittoothHobbitPoster.jpg

Um site ótimo para saber mais sobre J.R.R. Tolkien: www.valinor.com.br

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Critérios para análise de qualquer texto

Ler um texto não é algo tão simples assim, claro depende de que texto é esse, mas consideremos um artigo de jornal, por exemplo. Ler é mais que reconhecer palavras e saber o que está escrito, ler é acima de tudo interpretar e para isso é necessário bagagem cultural, ou seja, ter um mínimo conhecimento do assunto, da área, da matéria... Alguns dizem que ler realmente é interpretar as entrelinhas, entender onde o autor deseja chegar, mesmo que ele não tenha colocado todas as respostas claras no texto. Mas é necessário algum critério básico para analisar qualquer texto, consideremos:

1. O que estou lendo? (tema do texto)
2. Quem escreve? (o autor, profissão, etc)
3. Para quem o autor escreve? (todo texto tem um público)
4. Por que? (qual a intenção do autor ao escrever aquilo)
5. Quando? (mais que a data, mas o contexto histórico do texto)
6. Como? (o estilo: crônica, artigo, romance...)
7. Onde? (cidade, pais. Foi no cárcere? Etc)
8. Personagens (relacioná-los com os itens acima)

Principalmente nos textos filosóficos devemos considerar também:

1. Quais são os pressupostos do texto? Todo texto tem pressupostos e eles nos indicam ao o que o texto se refere. São determinadas argumentações e conceitos que nos fazem identificá-los.
2. É importantíssimo entender o contexto cultural do autor.
3. Só devemos confrontar idéias com terceiros quando fizemos leituras diversificas e comparamos pensamentos diversos, sempre lembrando que não a experiência filosófica é particular e pessoal, não podemos estimular ninguém somente sensibilizar.

(anotações de aula)

Carl Rogers, “É das influencias que você se constrói, constrói a sua leitura”.


Carl Rogers nasceu em 1902 e morreu em 1987. Formado em história e psicologia. Humanista, concebe o ser humano como sendo bom e curioso, pedagogia experencial centrada no aluno. A aula deixa de ser idêntica para todo mundo. “A ditadura do conteúdo sufoca a liberdade de aprender”.

É necessário por parte do professor paciência na escuta, escuta sensível. Para Rogers, o aluno é uma pessoa em construção, não tem fim aprender a ser pessoa e isso deve acontecer na escola (esse entendimento).

A escola recebe uma pessoa inteira e não um aluno, o professor é facilitador ensina e conduz de forma consciente e rigorosa.

Segundo ele é importante a aceitação, na medida em que cada um aceita ser ele mesmo nós mudamos e os outros também. Aceitar não é concordar... “Concordar pode ser lavar as mãos”.
O Professor deve ser aquele que segue “Professando a fé no ato de aprender do outro”. Existem inúmeras formas de aprender, o conteúdo não é tudo, ele precisa ter um sentido.

“Quem parou de aprender também parou de saber ensinar”. O conviver e o aprender andam juntos. O aprendizado auto apropriado é o que tem sentido.

O professor deve ter o papel de facilitador, a congruência faz parte da característica do facilitador, já a escola tem o papel de gerar uma comunidade do aprender.

E necessário ter limite sim na hora do aprendizado, mas esse limite tem que ter um sentido e não pode ser um festival de recusas. Quanto ao conteúdo não pode ser somente uma acumulação de fatos, ele deve gerar modificação, se ele não tem significado é esquecido. “O conhecimento existe principalmente para ser utilizado”.

(Referência: documentário de Ana Gracinda)